Previsões para os Oscars 2019

Hoje é a grande noite de Hollywood, com a 91ª edição dos prémios da Academia, que apresenta uma das corridas mais renhidas dos últimos anos. Há várias categorias, incluindo melhor filme, em que vários chances podem ter uma palavra para dizer, pelo que vai ser uma noite interessante no Dolby Theatre.

Tal como nos últimos anos, vou tentar prever algumas das categorias mais importantes, este ano com mais dificuldades do que o costume. Devido a isso, decidi alterar ligeiramente o esquema do último ano e apresentar um primeiro e segundo lugar à vitória em cada categoria.

Melhor Design de produção: A Favorita

Quem pode surpreender: Black Panther

Esta será uma das categorias mais renhidas da noite. A Favorita parece ser o mais provável candidato à vitória, com a sua brilhante recriação da corte inglesa do século XVIII, mas a construção de Wakanda em Black Panther ou a lua em O Primeiro Homem na Lua fazem com que nada seja garantido. Se Roma dominar a noite, pode também sair vitorioso nesta categoria. No entanto, parece-me que o mais provável é o filme de Yorgos Lanthimos arrecadar a estatueta.

Melhor canção original: “Shallow”, de Assim Nasce uma Estrela

Quem pode surpreender: “All the Stars”, de Black Panther (não vai acontecer)

Esta é uma das únicas categorias virtualmente garantidas da noite – Lady Gaga e Bradley Cooper têm limpado as cerimónias de prémios todas com “Shallow”. A música tornou-se num fenómeno viral e o filme, que já foi o favorito na corrida a melhor filme, continua a ter muitos fãs. Diria que é impossível haver surpresas aqui.

Melhor banda sonora: Se Esta Rua Falasse

Quem pode surpreender: Black Panther

Antes das nomeações, o vencedor provável era Justin Hurwitz, com a brilhante banda sonora de O Primeiro Homem na Lua. A ausência de Hurwitz entre os nomeados foi um dos maiores choques das nomeações, mas fez emergir um novo vencedor provável: Nicholas Britell, por Se Esta Rua Falasse. O filme de Barry Jenkins foi profundamente injustiçado pela Academia, particularmente ao ser excluído da corrida a melhor filme, e a Academia tem aqui uma certa hipótese de o reconhecer. É um trabalho brilhante de Britell, e a vitória seria mais do que merecida.

Melhor mistura de som: Bohemian Rhapsody

Quem pode surpreender: Assim Nasce uma Estrela

A Academia continua a distinguir entre mistura e edição de som, e este ano parece provável que Bohemian Rhapsody vença em ambas as categorias. Os musicais têm uma certa vantagem nestas categorias, e a biografia dos Queen destaca-se neste departamento. Assim Nasce uma Estrela e O Primeiro Homem na Lua podem surpreender em ambas as categorias.

Melhor edição de som: Bohemian Rhapsody

Quem pode surpreender: Um Lugar Silencioso

São aqui ponderadas as mesmas considerações da categoria anterior, sendo que aqui temos um nomeado que não surge na categoria anterior e que deve ser ponderado: Um Lugar Silencioso. O filme de John Krasinski foi uma maravilha de experiência sonora, e apesar de ter sido ignorado nas outras categorias, pode ser aqui reconhecido. Mas parece-me que, em princípio, esta categoria será também de Bohemian Rhapsody.

Melhores efeitos visuais: O Primeiro Homem na Lua

Quem pode surpreender: Vingadores: Guerra do Infinito

Nesta categoria, a questão está em saber se a Academia vai optar pelo blobkbuster gigante ou pelo drama humano. O filme com mais eye candy dos nomeados é Ready Player One, que para além de todo o destaque dos seus efeitos, ainda é realizado por Steven Spielberg, o que lhe pode dar algum peso. No entanto, para mim O Primeiro Homem na Lua é o mais impessionante dos nomeados, e a Academia é capaz de preferir os seus truques mais old-fashioned ao CGI doss outros filmes nesta categoria.

Melhor cinematografia: Roma

Quem pode surpreender: Cold War

Esta categoria é disputada entre dois filmes estrangeiros a preto e branco. Até há umas semanas o favoritismo de Roma parecia certo, mas Cold War venceu o galardão na AMC (American Societaty of Cinematographers). No entanto, parece-me que a Academia irá pelo filme de Cuáron, sendo este um dos prémios que o realizador vai receber ao longo da noite, uma vez que também foi ele o responsável pela cinematografia do filme.

Melhor edição de filme: Vice

Quem pode surpreender: Bohemian Rhapsody

A edição de Bohemian Rhapsody provavelmente foi um milagre após Bryan Singer ser despedido do filme, e a Academia pode decidir reconhecê-la por esse motivo. No entanto, e isto é uma opinião pessoal, é também das mais fracas dos nomeados. O destaque óbvio aqui é Vice, que adotou um estilo semelhante ao que Adam McKay já tinha utilziado em A Queda de Wall Street: cortes para inserção de cenas que acabam por ser meta e demonstração de conceitos. A Academia claramente aprecia o filme, tendo-lhe dado um total de 8 nomeações, e pode ser aqui que o congratula.

Melhor maquilhagem e cabeleireiro: Vice

Quem Pode surpreender: Maria, Rainha dos Escoceses

Esta categoria é garantida. Christian Bale É Dick Cheney. Não vão haver surpresas.

Melhor guarda-roupa: A Favorita

Quem pode surpreender: Black Panther

Neste caso, o filme de época parece ser o favorito, com uma recriação brilhante da roupa da época. A mega-produção da Marvel poderá surpreender, mas não é provável.

Melhor documentário: Free Solo

Quem pode surpreender: RGB

2018 foi um ano extremamente forte para documentários no grande ecrã, tanto em termos de qualidade como de bilheteira. Nesta categoria tivemos até uma das maiores surpresas das nomeações: a ausência de Won’t You Be My Neighbour? De entre os nomeados, Free Solo destaca-se pela sua elevada componente técnica e pelo quão impressionante é num grande ecrã. O Oscar deverá ser seu.

Melhor filme de animação: Spider-Man: No Universo Aranha

Quem pode surpreender: The Incredibles 2: Os Super-Heróis

Spider- Man: No Universo Aranha é o melhor filme de uma personagem que já teve um elevadíssimo número de aventuras cinematográficas. O filme tem vencido constantemente esta categoria, muito graças ao espetáculo visual que oferece e à sua história refrescante. Dificilmente vai sair do Dolby Theatre sem a estatueta, mesmo com um filme da Pixar e um filme de Wes Anderson na corrida.

Melhor filme em língua estrangeira: Roma

Quem pode surpreender: Cold War

Este ano, a categoria de melhor filme estrangeiro é extremamente forte, com três filmes que poderiam ganhar em qualquer outro ano: Roma, do México, Cold War, da Polónia e Shoplifters, do Japão. No entanto, Roma é o favorito absoluto aqui: está também nomeado para melhor filme, pelo que é praticamente impossível perder.

Melhor argumento adaptado: BlacKkKlansman: O Infiltrado

Quem pode surpreender: Se Esta Rua Falasse

O último filme de Spike Lee foi um dos mais relevantes do ano, e isso deveu-se, em grande parte, ao argumento enraivecido que tinha. Este foi um dos filmes mais potentes do realizador do ano, e isso deve ser reconhecido nesta categoria. A prosa de James Baldwin em Se Esta Rua Falasse também foi transposta para o grande ecrã com os tons de épico que já esperamos de Barry Jankins, pelo que o filme pode aqui surpreender. Mas este deverá ir para o último “Spike Lee joint”.

Melhor argumento original: A Favorita

Quem pode surpreender: Green Book – Um Guia Para a Vida

Esta é uma das categorias mais difíceis de prever, e cada um dos filmes tem chances de sair da cerimónia com a estatueta dourada. A Favorita é um filme genial, com um argumento extremamente forte e divertido sobre os jogos de poder na corte inglesa. Em princípio, com a sua escrita afiada, será o candidato a bater. No entanto, Green Book conseguiu ser o feel-good movie da época, com um argumento que conciliou importantes questões raciais com um road trip movie bastante divertido. A Academia pode também decidir reconhecer Paul Schrader por No Coração da Escuridão, após ter ignorado o autor em filmes como Taxi Driver e Touro Enraivecido. Se a noite for de Roma. este poderá ser mais um para o filme de Cuáron, e Vice, com o seu estilo irreverente, também tem uma chance. Vai ser uma categoria muito interessante de ver.

Melhor atriz secundária: Regina King, por Se Esta Rua Falasse

Quem pode surpreender: Rachel Weisz, por A Favorita

Regina King tem uma interpretação enorme em Se Esta Rua Falasse, sendo um elemento do filme que deslumbrou a crítica e que tem vindo a ser constantemente reconhecido nas cerimónias de prémios. Ainda não vai ser este o ano de Amy Adams, e Rachel Weisz e Emma Stone parecem anular-se por serem ambas nomeadas pelo mesmo filme. Marina de Tavira de Roma surpreendeu com a nomeação, mas não deve conseguir o galardão. Weisz surpreendeu ao vencer nos BAFTA, pelo que talvez a categoria não seja tão garantida como já se pensou – mas o mais certo é King ganhar a estatueta.

Melhor ator secundário: Mahershala Ali, por Green Book – Um Guia Para a Vida

Quem pode surpreender: Sam Elliott, por Assim Nasce uma Estrela

Mahershala Ali já ganhou um Oscar por Moonlight, e tudo indica que vai repetir a proeza esta noite. Apesar de se poder considerar que o seu papel em Green Book é principal e não secundário, a verdade é que é mais uma grande interpretação de um dos atores mais interessantes a aparecer nos últimos anos. Sam Elliott, que nunca foi reconhecido pela Academia, pode surpreender com Assim Nasce uma Estrela, em que tem também um papel fortíssimo.

Melhor atriz principal: Glenn Close, por A Mulher

Quem pode surpreender: Olivia Colman, por A Favorita

Este é um daqueles casos em que, muito provavelmente, a Academia vai dar o Oscar a Glenn Close pela quantidade de vezes em que ignorou a atriz no passado. É um papel muito forte, e mais uma interpretação brilhante de Close, que eleva um filme mediano. Olivia Colman está excelente em A Favorita, pelo que também tem chances de sair vencedora. Lady Gaga, que já foi a favorita nesta categoria, não parece ter gandes hipóteses, visto que tem sido constantemente ignorada ao longo da época de prémios. Talvez o amor da Academia por Assim Nasce uma Estrela seja maior do que o das outras organizações de prémios, mas em princípio não vai acontecer.

Melhor ator principal: Rami Malek, por Bohemian Rhapsody

Quem pode surpreender: Christian Bale, por Vice

Este ano, os dois favoritos a melhor ator destacaram-se em biopics: Rami Malek como Freddie Mercury em Bohemian Rhapsody e Christian Bale como Dick Cheney em Vice. Bale teve uma enorme transformação física para interpretar o vice-presidente norte americano, e é mais um grande papel do ator, mas Malek parece ter mais chances. Desde logo, porque nunca venceu na categoria. Para além disso, tem vencido repetidas vezes o prémio ao longo da temportada, e a biografia dos Queen parece ter muitos fãs entre os votantes. Ainda não vai ser desta que Bradley Cooper vence o prémio.

Melhor realizador: Alfonso Cuáron, por Roma

Quem pode surpreender: Spike Lee, por BlacKkKlansman: O Infiltrado

A categoria de melhor realizador tende a ser difícil de prever, mas este ano é praticamente garantida. Depois de Bradley Cooper ser deixado de fora dos nomeados, ficou ainda mais fácil. Alfonso Cuáron deu ao mundo o filme mais belo do ano em Roma, num detalhe íntimo da sua infância e numa ode à sua infância e às mulheres da sua vida. É um filme belíssimo de ver, com uma realização formidável do realizador mexicano, que já venceu a estatueta por Gravidade. A escolha por filmar a preto e branco, toda a estética do filme e a criação de uma experiência imersiva como tão poucas outras fazem deste um tour de force de realização. É melhor Cuáron levar um discurso escrito.

Melhor filme: Roma

Quem pode surpreender: Green Book – Um Guia Para a Vida

chegamos ao galardão principal da noite. Este ano, a corrida a melhor filme tem sido extremamente atípica. Apesar de ser comum haver dúvidas sobre o resultado final, este ano essas são particularmente fortes, porque ao longo da temporada de prémios vários foram os filmes que assumiram, em diferentes momentos, o favoritismo. BlacKkKlansman Assim Nasce Uma Estrela já foram favoritos, O Primeiro Homem na Lua Se Esta Rua Falasse acabaram de fora, Black Panther tornou-se no primeiro filme de super-heróis a ser nomeado, A Favorita começou a tornar-se num dos maiores fenómenos nas listas de críticos, Bohemian Rhapsody ultrapassou uma produção extremamente atribulada e uma receção morna inicial para se tornar num candidato às grandes categoriasVice ignorou as controvérsias para chegar ao lote de nomeados. Atualmente, há dois filmes que parecem estar na frente: Roma Green Book. Roma é, provavelmente, o filme mais elogiado do ano (o que é totalmente merecido), e fez história ao tornar-se no primeiro filme lançado diretamente numa plataforma de streaming a ser nomeado a melhor filme. Green Book tornou-se num sucesso em vários circuitos, com o seu tom mais leve, e conseguiu algumas conquistas importantes nos últimos meses. Aparentemente, são os dois favoritos, mas qualquer um dos outros nomeados tem as suas chances. No entanto, parece-me que o galardão irá para Roma. É uma experiência singular, e é um daqueles filmes que se vai tornar num clássico no futuro. Provavelmente vai ser uma noite de sonho para Cuáron no Dolby Theatre.

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