Roma e Cold War: o cinema para além de Hollywood

Todos os anos, quando chegamos a esta altura, começam a aparecer as listas de melhores filmes do ano, assim como as típicas previsões para as cerimónias de prémios. E é nestas últimas que vemos uma tendência assustadora: apenas o cinema de Hollywood tem expressão, e o resto do mundo tende a ser ignorado.

Olhando para os Oscars, os prémios mais prestigiados de cinema, esta tendência percebe-se facilmente: olhando para os nomeados a melhor filmes ao longo da história, apenas 10 não eram em inglês, num total de 546 nomeados. Nenhum deles venceu. O mais perto que tivemos de um filme estrangeiro a vencer nos últimos anos foi quando O Artista consegui a estatueta mais importante em 2012, um filme francês que, no entanto, era um filme mudo.

Existe a tendencia clara de o mundo se focar no cinema de Hollwyood. O público em geral, seja de que país for, corre para as grande produções norte-americanas, fugindo de quase tudo o resto (claramente com exceções, até porque cada vez mais há países que conseguem produzir grandes sucessos). No entanto, isto torna-se mais preocupante quando as próprias cerimónias de prémios de maior dimensão ignoram tudo o que não é falado em inglês.

Este ano apresenta-se como uma rara exceção. Há um filme estrangeiro, não falado em inglês, que depois de dominar todas as listas de melhor filme do ano e de já andar a dominar nas nomeações das cerimónias de prémios, tem um lugar quase assegurado nas nomeações aos Oscars: Roma, de Alfonso Cuáron.

De certo modo, Roma quebra várias barreiras. Para além de ser o raro filme estrangeiro a conseguir uma (provável) nomeação (e, quem sabe, a vitória), é também um dos primeiros filmes de uma plataforma de streaming (neste caso a Netflix) a conseguir tanta atenção por parte das comunidades cinéfilas. A Netflix decidiu apostar numa estreia limitada em sala nos EUA e noutros países, incluindo Portugal, o que obviamente ajudou as chances do filme.

Mas o que importa é que Roma é um filme mexicano, falado em espanhol, que conseguiu dominar as conversações deste ano e firmar o seu lugar como um dos marcos cinematográficos de 2018. No entanto, não está sozinho: do lado europeu, o polaco Cold War, de Pawel Pawlikowski, conseguiu também ser constantemente reconhecido como um dos melhores do ano, mesmo nos EUA.

Recentemente, Cold War conquistou os galardões principais nos European Film Awards, e agora vai ambicionar fazer história e tornar este no primeiro ano com dois filmes em língua estrangeira nomeados a melhor filme. Não vai ser fácil, mas o filme de Pawlikowski merece-o.

Independentemente do resultado, a verdade é que estes são dois filmes que mostram que o cinema existe para além de Hollywood. Se isso sempre foi bem conhecido por quem presta atenção, há agora a esperança de que também o seja por cerimónias como os Oscars. Vamos ver o que acontece, mas seria uma agradável novidade.

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