Clássicos do cinema: Cinema Paradiso (1988)

Whatever you end up doing, love it. The way you loved the projection booth when you were a little squirt.

Cinema Paradiso teve uma história curiosa até se tornar no clássico que é hoje. O filme de Giuseppe Tornatore foi originalmente lançado em Itália em 1988 numa versão com 155 minutos, que teve uma receção morna e fracassou nas bilheteiras. No entanto, a Miramax adquiriu o filme para distribuição  nos EUA, e este foi editado para uma nova versão com 123 minutos, que viria a receber aplausos de todos os setores da crítica e a conquistar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Em 2002 foi lançada uma nova versão com 173 minutos. Cada pessoa terá uma versão favorita, mas o que é inquestionável é o seu estatuto de clássico.

Aquilo que Tornatore fez em Cinema Paradiso foi uma carta de amor. Uma carta de amor ao cinema. à vida, à paixão, à infância e ao passado, e à forma como tudo isto se relaciona. Sempre que voltamos a Cinema Paradiso voltamos a reviver os nossos próprios dias que já não voltam, em que tudo era tão maravilhoso como uma tela de cinema que continha todos os sonhos ou um primeiro romance que desejámos que perdurasse para sempre, sendo que isso apenas não aconteceu porque a vida não o permitiu.

Sempre vi Cinema Paradiso como a maior das declarações de amor ao cinema alguma vez filmadas. Toda a sua essência assenta na magia da sétima arte, a começar pelo argumento. Toto passa o seu tempo livre no Cinema Paradiso, onde trava uma improvável amizade com o projecionista, Alfredo. Com o passar dos anos, Alfredo vai ensinar a arte de projeção a Toto, que vai dar continuidade à atividade de projetar sonhos na tela.

Todo o filme transmite o cinema como força de união de pessoas – o Cinema Paradiso junta uma vila inteira de pessoas completamente diferentes umas das outras, que quando estão dentro daquelas paredes podem ser livre por umas horas dos seus problemas do quotidiano. Nada exprime isto melhor do que dois jovens que se conhecem lá quando Toto é apenas uma criança, e que com o passar do tempo percebemos que se vão aproximando cada vez mais, até que se casam e têm filhos, continuando a frequentar aquele espaço enquanto cresce

No centro de Cinema Paradiso há também a inocência do primeiro amor, quando Toto conhece a jovem Elena, filha de um banqueiro rico, com o seu belo cabelo loiro. Alfredo bem avisa Toto de que aquela rapariga lhe vai partir o coração, e todos percebemos que é inevitável. Mas também isto, como tudo o resto, vai ser essencial para o crescimento de Toto. Um coração partido ensina-lhe tanto (ou até mais) do que as lições de vida que Alfredo lhe vai dando.

Mas se há alguma coisa que fica sempre comigo em Cinema Paradiso é o seu final. Quando chegamos aos minutos finais o filme já se encarregou de nos partir o coração, e a cena final apenas o acentua – a mais bela montagem de homenagem ao cinema alguma vez feita. Conhecida frequentemente como a “kissing montage”, é um olhar a tudo o que filme nos transmitira até então. Aqui, a vida de Toto completa-se de certo modo – o rapazinho que amava a cabina de projeção do Cinema Paradiso é agora um homem formado por todas as suas experiências, mas tudo o leva sempre de volta àquela tela de sonhos.

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