Crítica: Meg: Tubarão Gigante (2018)

Meg não é terrível. Talvez seja essa maior surpresa de um filme cujo conceito assenta na ideia de Jason Statham andar à tareia com um tubarão pré-histórico gigante. Isto não quer dizer que o filme seja bom, porque não é. Enquanto filme, é mau, ocasionalmente até bastante mau. É óbvio que ninguém aqui estava muito preocupado em fazer um grande filme, e não há grandes problemas com isso. Toda esta estupidez é divertida e serve como escapismo de verão, mesmo que não haja valor artístico no meio de tudo isto.

A história começa por nos apresentar Jason Statham como Jonas Taylor, um mergulhador de salvamento que participou numa missão que acabou com várias vítimas mortais, e em que Jonas sempre considerou que existiu a presença de algo que destruiu o submarino que era central à missão de resgate. Estas crenças levaram a que fosse considerado louco e afastado do seu trabalho.

Avançamos alguns anos e Jason vive na Tailândia, passando os dias a beber. No entanto, como não podia deixar de ser, os seus serviços vão ser requisitados, uma vez que uma missão de exploração ao fundo da Fossa das Marianas, em que a ex-mulher de Jason participa, ficou presa no fundo do mar e alguma coisa pode estar a tentar atacar o submarino. Jason diz que não, depois hesita, e depois aceita.

Assim, acabamos por ter dois filmes num só. O primeiro é principalmente sobre a missão de resgate do submarino, que ocupa a totalidade do primeiro ato. A seguir, quando obviamente descobrimos que o submarino foi atacado por um tubarão pré-histórico, passamos a ter aquilo que foi prometido: Jason Statham vs um monstro de 20 metros.

Chegados a este ponto já percebemos que não existe aqui grande preocupação com a coerência do argumento. Jonas aceitou participar na missão de salvamento principalmente por causa da ex-mulher, mas a partir do momento em que ela volta à superfície o filme praticamente nunca mais quer saber dela, e muito menos Jonas. O que importa é que ele tenha chegado àquele ponto, e ninguém quer saber das suas motivações para o futuro. O filme encarrega-se de mostrar isto ao arranjar-lhe logo uma nova paixão, Suyin (Li Bingbing), que é filha do diretor da missão de exploração.

E se o filme ainda tenta meter algum sentido para o facto de um tubarão daquelas dimensões ter conseguido chegar à superfície através de uma corrente quente provocada pelo submarino de resgate, a partir daí não procura ter grande lógica com o funcionamento do monstro. Não vou entrar em domínio de spoilers, mas há algo no segundo ato que me parece uma contradição enorme.

Claro que o mais sensato é não levantar este tipo de questões. O objetivo de tudo isto é vermos STATHAM CONTRA UM TUBARÃO GIGANTE PRÉ-HISTÓRICO. Quem é que acha que alguma coisa nisto pode fazer sentido? E a verdade é que neste domínio o filme supera-se. Esperava que fosse algo mais consciente de todo o eu absurdo, mas infelizmente não é esse o tom que o filme adota, preferindo em vez disso ser maioritariamente sério, com algumas tentativas (geralmente embaraçosas) de humor, que são tão más que têm piada – se calhar acertaram em cheio aí.

Os aspetos técnicos acabam por compensar até certo ponto todas as outras componentes de Meg, e Jason Statham e Li Bangbang divertiram-se tanto nas filmagens que isso até é contagiante. O tubarão gigante é realmente uma maravilha visual, e há cenas que merecem ser vistas num grande ecrã. Até certo ponto isto ajuda a ultrapassar a péssima edição, o argumento cheio de buracos, a falta de ritmo e algumas interpretações muito fraquinhas: este é mesmo daqueles casos em que se tem de ignorar todos os parâmetros normais para se poder apreciar.

Meg é um mau filme enquanto filme. Falha redondamente em vários aspetos e leva-se demasiado a sério para o seu próprio bem. No entanto, cumpre na premissa de se ver Statham à tareia com um tubarão pré-histórico. Se isso é suficiente? Infelizmente não. É um blockbuster de grande orçamento que vai satisfazer quem for com as expetativas adequadas, mas as falhas são demasiado grandes para serem ignoradas.

Nota final: 3,5/10

 

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