Crítica: Missão: Impossível – Fallout – 2018

Ao longo dos últimos 22 anos, Tom Cruise salvou o mundo repetidas vezes. Ethan Hunt ganhou o seu lugar na história ao lado de personagens como James Bond e Jason Bourne. No entanto, nada no passado da saga se aproxima daquilo que Missão: Impossível – Fallout é. Não são precisos muitos minutos para se perceber que estamos perante o blockbuster essencial do ano, um dos filmes de ação de uma geração. Fallout está ao nível apenas conseguido por tão raros eventos como Mad Max: Estrada da Fúria enquanto uma obra-prima do seu género nos tempos modernos.

Fallout é o primeiro filme da série que funciona como uma sequela direta para o anterior, e Christopher McQuarrie é o primeiro realizador a assinar duas obras. Tudo isto permite que o filme pareça mais focado – o set-up vem construído de Nação Secreta, pegando também em elementos de filmes anteriores, e aqui assistimos ao final daquele que é o melhor arco narrativo da saga. É esta uma das vantagens desta nova continuidade: já estamos empenhados nestas personagens, tanto nos heróis como nos vilões, e por isso McQuarrie tem muito mais com que jogar a nível emocional.

Assim, Fallout começa dois anos depois de Solomon Lane, o líder do Sindicato, ter sido capturado. No entanto, o seu grupo terrorista não acabou com a sua detenção – os membros ainda ativos formaram uma nova cédula, os Apóstolos, decidida a dar continuidade aos objetivos de uma nova ordem mundial do Sindicato. A ameaça desta vez ainda é maior, envolvendo um eminente ataque nuclear que vai ter proporções globais.

A partir daqui, o argumento só se torna mais denso. Há o regresso de personagens do passado, mas também há novas caras que se juntam à história. De entre estas, o destaque óbvio vai para Henry Cavil, que interpreta um agente da CIA que acompanha Cruise na missão. Cavil injeta uma energia constante ao filme, servindo como o contra-peso perfeito para Cruise e entregando uma personagem que se torna numa das mais interessantes da saga. É bem sabido que o resultado da cara deformada de Cavil em Liga da Justiça foi o facto de este ter de manter o bigode que ostenta em Fallout, que teve então de ser retirado com recurso a efeitos visuais na pós produção. Uma vez que Fallout é superior em todos os aspetos a Liga da Justiça, eu diria que Cavil fez a escolha certa.

Mas não é só Cavil que brilha. Entre os nomes antigos, Simon Pegg e Ving Rhames acrescentam a diversão que já vem sendo comum, dando um toque de humor ao filme que é sempre desejado. Rebecca Ferguson volta a ser um dos maiores destaques, sendo a sua personagem provavelmente a mais interessante que a série já ofereceu. E do lado dos estreantes, Vanessa Kirby arrasa em todo o tempo que tem enquanto uma mediadora fundamental para o argumento, servindo como uma personagem que deixa bastante curiosidade para futuras aparições na série.

No entanto, a estrela principal continua a ser Cruise. O ator americano parece que celebrou um pacto com as suas audiências de ir cada vez mais longe nos stunts que faz sem recurso a duplos, arriscando-se a desafiar a morte repretidas vezes. Nos últimos filmes já tínhamos testemunhado momentos como Cruise a trepar o Burj Khalifa ou a agarrar-se a um avião a levantar voo a altas velocidade. Mas nada, nada se compara ao que fez aqui.

Cruise e McQuarrie decidiram subir o nível e apresentar algumas das cenas mais impressionantes alguma vez apresentadas em filme. Há cenas de ação surreais ao longo de toda a duração, que se tornam ainda mais inacreditáveis quando se percebe o quão pouco CGI foi utilizado para as filmar. Desde um HALO Jump filmado em câmaras IMAX que rivaliza com o melhor que Christopher Nolan já fez a uma perseguição a alta velocidade pelas ruas de Paris, tudo o que é apresentado é frenético e de encher o olho.

McQuarrie é um excelente realizador em cenas de ação e isso percebe-se sempre que o ritmo sobe. Desde Mad Max: Estrada da Fúria que não se via ação tão bem filmada, tão clara e e bem exposta, que merece ser vista no maior ecrã. Se Tom Cruise envergonha a maior parte dos atores que vão aparecendo para protagonizar blockbusters de ação, a saga enterra todos os espetáculos de CGI que por aí andam. A maioria do que se vê é real, e isso sente-se. Devido a isso, raramente me senti tão ansioso num filme do género como em Fallout – o facto de saber que quase tudo aquilo que estava a ver foi realmente filmado sem “magias da pós produção” acrescentou toda uma camada de imersão à experiência.

E tudo isto se torna notável nos últimos 20 minutos do filme, que são dos mais tensos de que há memória num blockbuster deste género. Os riscos nunca foram maiores, e o que acontece no ecrã é tão frenéticos que nos faz suster a respiração durante largos momentos. Visualmente, é particularmente glorioso. Não vou explicar porquê, mas se há cena que tem de ser vista no maior dos ecrãs, com o melhor sistema de som, é esta.

Missão: Impossível – Fallout vai ficar para a história como um dos filmes de ação que marcaram o seu tempo. É o blockbuster essencial do verão – frenético, inteligente e arriscado. Mas mais do que isso, é um grande filme per si, com um elevado valor artístico e de entretenimento, e um dos melhores filmes do ano. Já se percebeu que Cruise não tem medo do impossível, e ainda bem que assim é. Venha a próxima missão.

Nota final: 9/10

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