Crítica: Ocean’s 8 (2018)

Ocean’s 8 sabe o que quer ser desde o primeiro momento. É um filme ligeiro, com um elenco estrondoso, que está mais preocupado em garantir que o público se diverte do que em apresentar uma história densa. Não tenta ousar em inovar, mas também nunca falha e funciona como verdadeiro entretenimento numa época de blockbusters carregados de testosterona, utilizando charme em vez de explosões.

Desde os primeiros momentos que percebemos que este não é um spin-off da trilogia de Steven Soderbergh, mas sim uma verdadeira sequela, que se passa alguns anos após o final de Ocean’s Thirteen. Debbie Ocean (Sandra Bullock) é irmã de Danny Ocean, e quando o filme começa está prestes a sair da prisão em liberdade condicional (tal como o seu irmão no início do primeiro filme). No entanto, o seu regresso à sociedade é marcado por um regresso imediato ao mundo do crime.

Debbie pretende assaltar a Gala do Met, um dos maiores eventos do ano, e roubar um colar de diamantes. Mas para isso percebe uma equipa, que começa a juntar com a ajuda da sua antiga companheira do mundo do crime, Lou (Cate Blanchett). Ao contrário da trilogia original, Gary Ross (que substitui Soderbergh) demora-se mais a apresentar o grupo do que a trilogia original, dando mais tempo para conhecer cada personagem.

Isto arrasta um pouco o ritmo durante o primeiro ato, mas também permite que as personagens interajam mais e se dêem a conhecer ao espectador. Para além disso, o elenco é um verdadeiro charme, e qualquer momento em que estejam a conversar é entretenimento de alta qualidade.

Quando o grupo está finalmente reunido o filme atinge o seu auge. Gary Ross sabe perfeitamente que a grande piada destes filmes é ver as personagens a interagir, e consegue tornar esse no elemento central de Ocean’s 8. O filme não é tanto sobre o assalto, mas mais sobre ver um elenco como este a divertir-se (e, mais importante, a divertir) com o material que lhe é dado. Todas as atrizes trazem o seu A-game para o filme, o que assegura duas horas que nunca são menos do que bem passadas.

Ninguém desaponta no elenco, e Sandra Bullock consegue comandar magistralmente as cerimónias, sucedendo a George Clooney naquilo que se espera que venha a ser a sua própria trilogia. No entanto, a verdadeira estrela é Anne Hathaway, que sempre que está no ecrã ameaça “roubar” o filme. Revelar o porquê seria estragar as surpresas que o filme revela, mas a verdade é que o facto de Hathaway não ofuscar o restante elenco demonstra a qualidade das atrizes envolvidas, porque em condições normais este filme seria seu facilmente.

Algo que tem de ser realçado é que nada aqui é novo. Para quem conhece minimamente a trilogia original, é tudo previsível e muito pouco será verdadeiramente inesperado. O assalto tem momentos em que parece poder pertencer a qualquer um dos filmes de Soderbergh. Para além disso, como em qualquer um dos filmes originais, nunca é suposto que o grande golpe seja o elemento central do filme, servindo mais como uma desculpa para meter estas personagens a interagir, mas mesmo assim este parece especialmente desinspirado, apesar de entreter com os twists que tinham de aparecer.

Existem também problemas de ritmo, mas que não estragam o resto. Muito diz contribui para que Ocean’s 8 não seja um grande filme, mas continua a ser grande entretenimento. Não é memorável, mas serve como bom escapismo para esta época de verão.

Nota final: 6,5/10

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