“La Casa de Papel” – o cinema deixou de ser o evento principal

Avaliando pelo mercado português, o grande fenómeno deste ano não foi Pantera Negra, Vingadores: Guerra do Infinito, Deadpool 2 ou Um Lugar Silencioso. O maior evento de entretenimento do ano, que tem dominado as conversas e o buzz online não passou numa sala de cinema nem num canal de televisão tradicional. Foi uma série de televisão (espanhola, mostrando que Hollywood não é o centro de todas as coisas), que está disponível em streaming na Netflix.

La Casa de Papel foi daqueles fenómenos que parece que veio do nada, mas que é uma confirmação dos tempos em que vivemos. Os eventos de entretenimento já não existem somente no grande ecrã – mudaram, adaptaram-se à geração em rede. Vivemos na época dourada da televisão, em que os conteúdos do pequeno ecrã abundam em quantidade e qualidade, ultrapassando muitas vezes aquilo que Hollywood consegue produzir.

Em 2018, o maior evento do ano para o público português (até agora) foi uma série de televisão espanhola sobre um grupo de assaltantes que entra na Casa da Moeda Espanhola com o objetivo de produzir notas no valor de 2,4 mil milhões de euros. Mas se isto parece mais óbvio do que nunca no mercado português, a verdade é que a tendência tem sido a da emergência do streaming e da televisão em detrimento do grande ecrã.

Nos últimos anos assistimos a fenómenos como A Guerra dos Tronos ou Breaking Bad, que ostentando críticas invejáveis e valores de produção dignos das produções de Hollywood, conseguiram conquistar o público de uma foram que já tão poucos blockbusters conseguem.

O caso de La Casa de Papel não se afasta destes exemplos. É uma série com uma qualidade assumia, rivalizando e até mesmo superando aquilo que Hollywood geralmente nos oferece, conseguindo fazer algo que nunca será possível num formato de filme: aproveitar o seu formato de série para viciar o espectador, que no fim de cada episódio se sente tentado a seguir imediatamente para o próximo.

Por isso, quando aparece um “furacão” destes, torna-se complicado pedir ao público que saia de casa para se dirigir ao cinema para ver o blockbsuter da semana, um pseudo-evento que tendencialmente tem uma qualidade inferior e que representa uma forma de entretenimento mais cara.

É óbvio que o evento cinematográfico não acabou, mas mudou de forma. Numa altura em que os estúdios tentam constantemente chegar ao topo da montanha, é cada vez mais fácil caírem, o que faz com que os gigantes estejam cada vez maiores. Filmes como O Despertar da Força, Vingadores: A Guerra do Infinito, Mundo Juássico, Mulher Maravilha e Dunkirk ainda se tornam nos maiores dos eventos quando saem, capturando as audiências para experiências que precisam de ser vividas no cinema.

No entanto, o cinema tem de aprender que o panorama mudou. A deslocação a uma sala com um grande ecrã já não é a única forma de entretenimento que os espectadores têm, e muitas vezes a escolha mais sensata será mesmo ficar em casa e ver algo como La Casa de Papel, que apresenta padrões de qualidade acima do geral que encontram numa produção de Hollywood e que está à distância de um mero click.

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