Os melhores filmes de 2017 para o Sala Cinematográfica

Nota: Tal como no ano passado, decidi adiar este último post de análise a 2017 depois dos Oscars para ter hipóteses de ver o máximo possível de filmes lançados ao longo do último ano. Na elaboração desta lista foram apenas considerados os filmes lançados ao longo de 2017 nos EUA

2017 foi mais um ano com a sua quota parte de grandes filmes. Entre surpresas e confirmações, foi um ano em que a qualidade esteve presente tanto em filmes de grande como pequena dimensão. Fazer uma lista destas nunca é fácil, e este ano não foi exceção. Todas as escolhas aqui apresentadas são obviamente subjetivas, sendo estes os filmes que considero que representam o melhor que se fez na sétima arte ao longo do último ano.

Vamos então à lista

10. Chama-me Pelo Teu Nome

“Chama-me pelo teu nome, e eu chamar-te-ei pelo meu, diz um dos amantes ao outro no momento em que a sua relação atinge o ponto máximo. Estas palavras significam mais no contexto de Chama-me Pelo Teu Nome do que qualquer contacto físico. A relação de Elio e Oliver é principalmente sobre a descoberta do primeiro amor. Ambos já tiveram outras relações, mas nenhuma teve paixão como a que existe entre eles. A obra de Luca Guadgnino é um retrato melancólico do crescimento, da chegada à idade adulta e da busca de uma identidade. Constantemente melancólico e nunca menos do que belo, é uma coming-of-age story com o coração no sítio certo.

 

9. The Post

The Post é um dos filmes mais relevantes do ano. 2017 foi um ano marcado por uma perseguição ao jornalismo por líderes políticos, com expressões como as célebres fake news a marcarem o debate mundial. Aquilo que Steven Spielberg conseguiu aqui foi reafirmar a importância do jornalismo de investigação, trazendo de volta o caso dos Pentagon Papers para estabelecer paralelismos com a realidade atual. Spielberg provou mais uma vez o porquê de ser um dos melhores realizadores de todos os tempos, e a colaboração com Tom Hanks e Meryl Streep resultou num filme potente que não tem medo de apontar o dedo aos seus alvos.

 

8. Linha Fantasma

Se Linha Fantasma for realmente o último filme de Daniel Day-Lewis, o ator despediu-se da melhor forma. Este é daqueles filmes em que o resultado final é totalmente diferente do que seria de esperar. Explicar o por quê seria estragar toda o sentido de descoberta de o ver. No entanto, há certas coisas que se podem dizer. Linha Fantasma é o trabalho mais pessoal de Paul Thomas Anderson, um dos mestres da atualidade. É até questionável até que ponto Reynolds, a personagem de Day-Lewis, não é uma representação do realizador (e até do ator, conhecido pelos sues trabalhos de método). O filme em si é uma maravilha visual e narrativa, com reviravoltas a cada momento e um sentido único de espaço. Somando isto às interpretações magistrais de todos os atores, Linha Fantasma é mais uma obra-prima de PTA.

 

7. Star Wars: Os Últimos Jedi

É um testamento à força dos novos filmes de Star Wars que nos últimos anos sejam presença constante entre os melhores blockbusters de ano. Os Últimos Jedi é o melhor filme que a Disney lançou da saga até agora, e possivelmente o melhor desde O Império Contra-Ataca. Ryan Johnson teve a coragem de levar este universo para caminhos totalmente novos, expandido a mitologia de uma forma que abre caminhos infinitos para o futuro. Com algumas das melhores interpretações que a saga já ofereceu e reviravoltas que vão surpreender mesmo aqueles a que isso poucas vezes se acontece, é um novo clássico para uma nova geração. Os Últimos Jedi não é apenas um excelente filme de Star Wars. É um grande filme enquanto filme per si.

 

6. Foge

A estreia de Jordan Peele na realização é um tour de force que serviu como uma lufada de ar fresco no panorama cinematográfica de 2017. Apesar de ter construído uma carreira com a comédia, Peele provou que os mecanismos de fazer rir e de assustar assentam muito no mesmo, com um dos melhores filmes de terror dos últimos anos. No entanto, Foge é muito mais do que um simples filme de terror: é uma obra afiada e extremamente pertinente sobre o racismo e a forma como este continua a existir nos nossos dias. É o filme mais socialmente consciente e relevante que chegou às salas nos últimos meses, não tendo medo de dizer o que quer, e fazendo-o como bem entende. É um verdadeiro murro no estômago e uma experiência que torna Peele desde já um dos realizadores mais interesses a trabalhar na atualidade

 

5. Baby Driver

De todos os filmes que vi no último ano, Baby Driver foi aquele pelo qual mais depressa me apaixonei. Os primeiros minutos do filme são dos momentos mais marcantes do cinema moderno, uma sequência que mistura música com o que acontece no ecrã de forma perfeita. É uma cena tão bem coregorafada e tão alucinante que nos atira imediatamente para dentro daquele que é o filme mais original do ano, uma experiência de um dos realizadores mais interessantes na altura. Enquanto todo, Baby Driver fez-me sair com um sorriso de orelha a orelha na cara. Desde a banda sonora que cobre todos os géneros a um romance central maravilhoso, passando pelas melhores cenas de ação que 2017 teve no cinema, este é daqueles que fica como uma killer track em qualquer playlist.

 

4. A Forma da Água

O conceito base de A Forma da Água envolve uma mulher que se apaixona por um monstro marítimo que se parece com um peixe. Se isto pode parecer absurdo em termos conceptuais, nada no filme de Guillermo del Toro o é. Poucos filmes têm tanto coração como a Forma da Água. Del Toro pegou em tudo aquilo que fez ao longo da carreira e conseguiu o amadurecimento necessário para criar a sua obra-prima, um filme tão lírico e tão belo nas ideias como nos visuais. É difícil não sentir o coração aquecido com o que aqui se vê. Todo o filme é revestido por um certo sentimento de descoberta, uma magia constante que enche o ecrã e nos abraça. Simplesmente maravilhoso.

 

3. Blade Runner 2049

Há um certo surrealismo na possibilidade de voltar ao mundo que Ridley Scott nos apresentou em 1982. Blade Runner é um dos clássicos incontornáveis de ficção-científica, que lançou uma sobra tão grande sobre o género que ainda hoje se sentem as suas influencias em inúmeros filmes do género. Voltar a este universo cyberpunk parecia apenas uma tentativa de capitalizar no nome do original. Só que Denis Villeneuve decidiu seguir o seu próprio caminho. Blade Runner 2049 pega no que veio antes de si e expande-o, tornando-se em algo com identidade própria. É um épico noir que rasga as convenções e destrói a linha entre blockbusters e arte. Poucos filmes são assim tão complexos e inteligentes, particularmente quando têm esta dimensão. E ainda menos são assim tão visualmente arrebatadores – num ecrã Imax, Blade Runner 2049 é possivelmente o filme mais bonito que já vi, principalmente devido à cinematografia de Roger Deakins. A acompanhar isto tudo, continuam as grandes ideias e discussões sobre temas que não oferecem respostas fáceis. Afinal de contas, será que os andróides sonham com ovelhas elétricas?

 

2. Três Cartazes à Beira da Estrada

Três Cartazes à Beira da Estrada é um cocktail de emoções em bruto. A história é logo um murro no estômago: uma mãe cuja filha foi brutalmente assassinada decide colocar três cartazes à beira da estrada a questionar o departamento da polícia sobre a falta de solução para o caso. Sendo este o conceito básico, é difícil estar preparado para o que vai ver. Três Cartazes foi simultaneamente dos filmes mais hilariantes e mais deprimentes que vi no último ano. Mas foi também dos mais maravilhosos. É uma obra com uma garra notável, afiada em todos os momentos e com o dedo apontado a vários alvos claros. A sua mestria advém muito do argumento de Martin McDonagh e das suas personagens: todas elas estão a passar por situações horríveis que as levam a cometer atos extremamente censuráveis – mas será que as podemos censurar? E depois há a interpretação de Frances McDormand, que vai ficar para sempre nos livros de história. Já o disse várias vezes e volto a dizê-lo: que maravilha é Três Cartazes à Beira da Estrada!

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1. Dunkirk

Assim que começaram a passar os créditos de Dunkirk, uma ideia formou-se na minha cabeça: tinha acabado de ver o melhor filme do ano. Era impossível que algo que viesse nos próximos meses ultrapassasse o que tinha visto naqueles cerca de 100 minutos. No fundo, Dunkirk tinha sido mais do que um filme – tinha sido uma experiência. Considero que Christopher Nolan é o melhor realizador a trabalhar atualmente, e aqui conseguiu exceder-se, alcançando talvez a sua obra-prima. A sua visão sobre a evacuação de cerca 400000 homens das praias de Dunkirk é aquilo que seria de esperar de um filme seu – cerebral, inteligente. Sendo Nolan conhecido por “brincar” com o tempo, essa é uma das características que eleva Dunkirk a um patamar único: ao intercalar entre períodos e planos diferentes, Nolan consegue criar uma escala de épico que tão poucas vezes se vê no cinema atual.

E há também a banda sonora de Zimmer. Para aquele que é um dos mestres da sua área, o compositor conseguiu criar o tom perfeito para acompanhar o que Nolan se propõe a retratar. Há uma urgência constante em toda a sonoridade, que torna esta experiência em algo tão urgente que nos põe o coração a bater a um ritmo elevadíssimo. Se o filme fosse mais comprido era provável que fosse difícil vê-lo sem sair traumatizado.

No fim de contas, Dunkirk é quase um milagre. É uma experiência única, um filme de um dos melhores realizadores do nosso tempo com as melhores das suas capacidades. É por filmes como Dunkirk que ainda acredito no cinema.

Menções honrosas:

A Hora Mais Negra, de Joe Wright

A Cidade Perdida de Z, de James Gray

Logan, de James Mangold

Sorte à Logan, de Steven Soderbergh

The Meyerowitz Stories (New and Selected), de Noah Baumbach

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