Previsões para os Oscars 2018

Domingo é a grande noite do ano para Hollywood. A entrega dos Oscars continua a ser a catarse de um ano de produção cinematográfica, uma tentativa de reconhecimento do que melhor se fez nos últimos meses na sétima arte. Este domingo o Dolby Theatre vai ser o palco dos sonhos. Já hoje, aqui no Sala Cinematográfica vamos fazer um exercício que já fizemos no ano passado: tentar prever quem vão ser os vencedores nas categorias principais. Na segunda-feira sairá também um comentário à cerimónia, em que irei comparar as previsões aqui feitas com os vencedores efetivos.

Sem mais conversas, vamos a este exercício de mera especulação.

Melhor cinematografia: Blade Runner 2049

Não há muito a dizer sobre esta categoria. Apesar de estarem nomeados pesos pesados como Dunkirk e A Forma da Água, que em qualquer ano seriam favoritos, Blade Runner 2049 é simplesmente dos filmes visualmente mais belos de sempre, e a Academia deve reconhecer isso. Finalmente Roger Deakins deverá receber a tão merecida estatueta.

Melhor design de produção: A Forma da Água

Outra categoria relativamente fácil de prever. A Forma da Água não vai ter problemas em ganhar este.

Melhor edição sonora: Dunkirk

Melhor mistura de som: Dunkirk

Teoricamente, Baby Driver poderá surpreender e ganhar em ambas as categorias sonoras. Mas o mais expectável é que estas sejam dominadas pelo épico de Chris Nolan, que utilizou o som como uma componente fundamental do seu filme. Qualquer dos filmes merece estas categorias, e talvez uma para cada fosse até o mais equilibrado.

Melhores efeitos visuais: Blade Runner 2049

Tal como no referido a propósito da cinematografia, Blade Runner 2049 foi o filme mais visualmente glorioso a chegar às salas no ano passados a mistura de efeitos práticos com CGI justifica totalmente que a estatueta lhe seja atribuída. É possível que Planeta dos Macacos: A Guerra ou Star Wars: Os Últimos Jedi surpreendam, mas a verdade é que o mais provável (e justo) vencedor é Blade Runner 2049.

Melhor música original: Remember Me (Coco)

A Academia aqui pode acabar por se deixar influenciar pelo expectável amor por Chama-me Pelo Teu Nome e dar o prémio a “Mistery of Love”, ou então que o fenónemo de bilheteira O Grande Showman acabe por ganhar o prémio com “This is Me”, que foi um sucesso de vendas (e da autoria de Benj Pasek e Justin Paul, que no ano passado ganharam o Oscar com “City of Stars”, de La La Land). No entanto, a tendência tem sido galardoar “Remembre Me” e suspeito que a Academia vai seguir a mesma onda.

Melhor banda sonora original: A Forma da Água

Destacando-se a ausência O Grande Showman, que poderia ser um dos favoritos pelo facto de ser um musical, parece que aqui todos os filmes acabam por ter a sua chance de vencer, e cada um tendo méritos suficientes neste domínio para justificar a estatueta. Mesmo assim, penso que vai acabar por ser outro para A Forma da Água

Melhor maquilhagem e penteados: A Hora Mais Negra

Aqui não há dúvidas. Com todo o trabalho de maquilhagem, Gary Oldman transformou-se em Winston Churchill. É das categorias que diria que é garantida.

Melhor edição de filme: Dunkirk

Apenas digo que vai para Dunkirk porque quero acreditar que a Academia vai homenagear a obra-prima de Christopher Nolan, nem que seja apenas na categoria técnicas. Mais uma vez é preciso ter atenção a Baby Driver, que estará também aqui em competição e com os olhos focados na estatueta.

Melhor guarda-roupa: Linha Fantasma

Haverá dúvidas aqui? Um filme cujo argumento se situa no mundo da moda tem obrigatoriamente de ganhar nesta categoria. Se não a Academia está a falhar.

Melhor filme em língua estrangeira: A Fantastic Woman

Aqui vai ser uma corrida entre The Square e A Fantastic Woman. Dou primazia à vitória do segundo apenas porque tem sido essa a tendência ao longo da temporada de prémios. Mas vai ser renhido.

Melhor documentário: Faces Places

Confesso que não vi nenhum dos nomeados, e apenas atribuo o favoritismo a Faces Places por ser considerado o front-runner para quem viu os vários concorrentes.

Melhor filme de animação: Coco

Este é de Coco. Nenhum dos outros filmes tem qualquer hipótese face ao filme da Pixar. Ferdinand e The Boss Baby parece que só ali estão para preencher o lugar, e The Breadwinner e A Paixão de Van Gogh devem ter passado demasiado ao lado dos membros da academia para terem uma verdadeira chance. Por isso o novo clássico da Pixar deve mesmo conseguir arrecadar dois Oscars no domingo.

Melhor argumento original: Foge

A corrida é entre Foge e Três Cartazes à Beira da Estrada. Se se verificar que este último tem uma noite esmagadora, então é bem provável que também vença nesta categoria. São dois filmes com argumentos muito afiados e extremamente adequados aos tempos que correm. No entanto, Foge foi provavelmente o filme mais relevante do ano, e isso deveu-se principalmente à escrita impiedosa de Jordan Peele. É uma categoria a observar, mas Foge deve ter a vantagem.

Melhor argumento adaptado: Chama-me Pelo Teu Nome

Se na categoria de argumento original temos uma situação difícil de prever, em relação a argumento adaptado parece que temos uma das categorias mais fáceis de prever. Nenhum dos outros nomeados parece ter hipóteses contra Chama-me Pelo Teu Nome. O argumento é constantemente belo, retratando os seus temas com uma harmonia e uma compreensão que são raras.

Melhor ator secundário: Sam Rockwell (Três Cartazes à Beira da Estrada)

É curioso termos dois atores de Três Cartazes à Beira da Estrada nomeados nesta categoria. Para além de Rockwell, também Woody Harrelson está na lista de candidatos ao prémio. E ambos merecem estar lá. No entanto, este é de Rockwell. A sua personagem foi das mais interessantes que o cinema nos deu a conhecer no último ano, sendo um dos pontos mais altos de um filme com tanta qualidade como este. Tal como tem acontecido constantemente, o Oscar deve ser seu.

Melhor ator principal: Gary Oldman (A Hora Mais Negra)

Mais uma categoria que é certa. Oldman ganhou tudo o que há para ganhar, e não vai falhar nos Oscars. Tal como já foi aqui dito, em A Hora Mais Negra, Oldman é Winston Churchill. O filme aceita totalmente em si, e é ele que o consegue elevar. É impossível tirar os olhos do ecrã sempre que Oldman está em cena. É irónico que a suposta despedida de um ator como Daniel Day-Lewis, que foi um dos maiores da sua geração (e de sempre, pode-se já dizer) não lhe traga mais uma estatueta, mas isso só atesta a qualidade da interpretação de Gary Oldman.

Melhor atriz secundária: Allison Janney (Eu, Tonya)

Allison Janney tem ganho este prémio sucessivamente ao longo da temporada, e tudo indica para que o vai voltar a fazer no domingo. Pode ser a única estatueta que Eu, Tonya leva para a casa, mas é uma das importantes. Apenas por ressalva, Laurie Metcalf tem chances de acabar por conseguir uma vitória, mas esse seria um dos grandes choques da noite. Em condições normais, Allisonn Janney vai mesmo subir ao palco.

Melhor atriz principal: Frances McDormand (Três Cartazes à Beira da Estrada)

Alguém tem dúvidas de que Frances McDormand vai ganhar? Tal como Goldman, a atriz ganhou tudo o que há para ganhar. A sua interpretação é simplesmente arrebatadora, um tour de force daqueles que só aparecem de tantos em tantos anos e que apenas são conseguidos por alguém com um talento como o de McDormand. É ela que constitui grande parte da alma de Três Cartazes à Beira da Estrada. A sua interpretação está num nível próprio, e isso quase de certeza que vai ser reconhecido pela Academia. McDormand pode ir escrevendo o discurso.

Melhor realizador: Guillermo del Toro (A Forma da Água)

A Forma da Água foi um dos filmes-sensação desta temporada de prémios e é o mais nomeado para os Oscars, com um total de 13 indicações. É até possível (mas não provável) que acabe por ser uma noite de sonho para o filme de del Toro e que este acabe por ganhar mais do que estas previsões apontam. No entanto, se há uma categoria em que se pode contar com a vitória do filme é na de melhor realizador. Principalmente se não ganhar melhor filme, uma vez que a Academia tem tido a tendência de dividir os dois prémios entre os filmes favoritos. O trabalho de del Toro vai ficar para a história como uma maravilha cinematográfica, e parece-me que na noite de domingo isso não vai ser ignorado. Ainda não deve ser desta que Nolan leva o Oscar para casa.

Melhor filme: Três Cartazes à Beira da Estrada

Aqui está. A categoria mais importante. O Oscar de melhor filme é sempre o grande momento da noite, e este ano está envolto numa certa incerteza. Isto ao contrário de anos em que temos front-runners claros, como no ano passado em que partimos para a cerimónia com uma favorito absoluto, apesar de ter acabado por não ganhar a estatueta principal. Mas este ano é realmente difícil de prever quem vai ganhar com certezas. A corrida parece ser entre A Forma da Água e Três Cartazes à Beira da Estrada, sendo que nenhum deles parece poder assumir vitória desde já. Dou, no entanto, o favoritismo a Três Cartazes à Beira da Estrada pelas vitórias importantes que conseguiu noutros lados, como nos BAFTA e nos Globos de Ouro. No entanto, vai ser interessante descobrir quem é que leva a honra mais elevada da noite para casa.

E assim chegamos ao fim destas previsões para os Oscars. Na segunda-feira vamos ver quantas delas é que se realizaram.

 

 

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