O marketing e as suas tristes consequências em Hollywood

Uma tendencia que tem vindo a crescer no século XXI, resultado do admirável mundo novo com as suas redes sociais e afins, é que os filmes têm de ser publicitados o mais cedo possível. 1 ano a nove meses antes da estreia devem começar a surgir os primeiros materiais de marketing, ou então os opiniosas de bancada começam logo a sugerir que o filme está condenado.

Basta ver o que se passou com Solo. O novo filme de Star Wars apenas recentemente recebeu o primeiro trailer, face aos gritos (e choros, oiçam com atenção que ainda os apanham) de uma maioria menor de trolls de que o filme estaria num tal desastre que a Disney o queria esconder. Quando o primeiro trailer saiu, pondo fim ao que se afigurava como uma das maiores tragédias da história moderna, percebemos que realmente havia aqui algo de diferente: a campanha do filme tinha começa apenas cerca de três meses antes da estreia do filme.

Esta situação já foi totalmente normal em Hollywood. No entanto, nos tempos que correm é visto como uma anomalia que pode ser fatal para o filme, geralmente estando o facto associado à ideia de que um estúdio pretende esconder um filme. Mas é precisamente esta tendência que está a dar uma facada nas costas do cinema americano.

Com uma massificação do marketing, quando um filme (e isto tudo diz principalmente respeito aos blockbusters) chega às salas raramente conseguimos entrar sem saber o que vai acontecer. É o resultado logicamente consequente de 1 ano de bombardeamentos de teaseres, traileres, teasers para trailers, imagens do filme, imagens de bastidores, entrevistas e tudo o mais que uma qualquer equipa de publicidade se consiga lembrar e pagar.

E agora vem a parte verdadeiramente interessante: na maioria dos casos, o menos acaba por beneficiar mais o filme. Basta ver que muitas das campanhas de viral marketing que resultaram em filmes de grande receita aceitaram a sua campanha em viral marketing, mostrando muito pouco do filme e apostando em materiais suficientemente fortes para conseguirem vender o filme enquanto o mantêm relativamente em segredo.

O caso mais paradigmático disto é possivelmente Deadpool, cujo marketing apostou fundamentalmente em peças de publicidade que exploravam a natureza da sua personagem principal, tendo pouco ou nada a ver com o filme. Tudo aquilo parecia fresco, e o resto é história como comprova o box office.

Felizmente, por agora esta tendência está relativamente centrada nos blockbusters. Mesmo os filmes de grandes realizadores que têm por fim principalmente o circuito art-house conseguem evitar estar expostos aos deuses do marketing com antecedência. Recentemente, Linha Fantasma, de Paul Thomas Anderson, um dos maiores realizadores de Hollywood, apenas recebeu o título em outubro, cerca de um mÊs antes de ser mostrado à imprensa pela primeira vez.

E os efeitos desta ausência de marketing não parece afetar minimamente estes filmes. No ano passado, La La Land e Elementos Secretos deram uma tareia das boas a quase todos os so called blockbusters de Hollywood, apesar de terem campanhas muito mais discretas e que não aceitaram em trailers disparados em todas as direções (La La Land teve um teares e dois trailers, mas sem mostrarem quase nada de importante do filme e que volto a frisar que foram obras-primas por si próprios).

Por isso, pode ser constatar demasiado o óbvio, mas estas trends de promover um filme com tanta antecedência como possível, atirando-nos à cara dezenas de trailers e posters e what have you está a prejudicar Hollywood. Por um lado expõe obviamente os maus filmes, e por outro tira-nos muitas vezes o sentido de descoberta de um filme. Podem dizer que eu se quisesse não via os matérias de marketing, mas já entraram num cinema? Há filmes que se não quisesse ver um trailer teria de entrar de olhos fechados no átrio e esperar à porta da sala até que toda a publicidade acabasse. Ah, e desligar a internet e a televisão de uma vez por todas.

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