Crítica: The Post – 2017

Katherine Graham: News is the first rough draft of history.

Há uma urgência notável em The Post. Em 2017, quando líderes de governos de ambos os extremos do espectro político procuram afetar profundamente a liberdade de imprensa, Steven Spielberg junta-se a Tom Hanks e Meryl Streep para nos lembrar que a luta pelo jornalismo livre e de qualidade é uma luta cada vez mais importante e que vale a pena travar.

A história de The Post acompanha o conjunto de jornalistas do Washington Post que investigou e publicou o escândalo dos chamados “Pentagon Papers”, um conjunto de documentos que demonstrava que as presidências de LBJ, JFK e Nixon mentiram ao povo americano sobre o estado da guerra do Vietname. Quando o New York Times publica as primeiras reportagens sobre o escândalo e imediatamente a seguir surge uma forte pressão do executivo de Nixon para acabar com a situação, Ben Bradlee (Tom Hanks) decide que é tarefa do Washington Post continuar com a divulgação dos documentos.

Enquanto o trabalho dos jornalistas se vai desenvolvendo, uma outra guerra vai sendo tratada. É a da dona do jornal, Katharine Graham (Meryl Streep), que herdou a dura tarefa de liderar a empresa da família após o seu marido se suicidar. Katherine tem de assegurar que o jornal continua a funcionar, lutando contra uma administração que não quer ter nada a ver com os problemas que a publicação dos Papers vai trazer.

É ironicamente assustador perceber os paralelismo que se vão estabelecendo entre os eventos demonstrados e a realidade atual. Quando o presidente americano atribui os auto-proclamados “Fake News Awards”, não estaremos a voltar (ou ultrapassar) os tempos destes “Pentagon Papers” e de Watergate? E quais serão as consequências se o jornalismo ceder a todas estas pressões?

Spielberg confirmou isto em várias entrevistas ao dizer que The Post é uma resposta aos tempos modernos. E se realmente o é, muita da sua eficácia resulta da mestria do realizador. A excelência de Spielberg está presente em todos os momentos, com a construção quase perfeita de toda a história e com a criação de uma tensão sempre presente. Spielberg construiu o seu nome como o rei dos blockbusters de Hollywood, através de filmes como Jurassic Park, E.T. ou O Tubarão. The Post é a confirmação de que atualmente é um dos reis dos dramas, após filmes recentes como Cavalo de Guerra, Lincoln e A Ponte dos Espiões.

Tudo isto é ainda beneficiado pelo facto de Spielberg se ter juntado a dois dos maiores nomes de Hollywood. Hanks e Streep estão no topo do seu jogo aqui. E há um sentimento de espanto de ver três gigantes a trabalhar juntos. Talvez seja por isso que parece que o filme tem uma classe natural sem esforço. Sempre que Hanks e Streep estão juntos no ecrã, enchei-no de tal maneira que parece não existir mais nada. São interpretações mais low-key de ambos os atores, mas é também aí que reside algum do seu encanto.

Nos tempos que correm, The Post é um importante abre-olhos para a importância do jornalismo de qualidade e as consequências da sua supressão. Se Trump é igual ou pior a Nixon, então vão ter de ser pessoas como Katherine Graham e Ben Bradlee a provar isso. Mesmo que sejam acusados de Fake News e afins. Politicamente relevante e maravilhosamente realizado e interpretado, é um dos filmes mais importantes e com mais qualidade do ano.

Nota final: 8.5/10

 

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