Clássicos do cinema – Casablanca (1942)

(Esta é uma nova rubrica. O objetivo é dar a conhecer aqueles que, na minha opinião, são filmes que merecem ser descobertos por cada um. Possuem um elevado valor pelas razões mais variadas, tendo cada um deles marcado a história do cinema à sua maneira).

Quando me perguntam qual é o menu filme favorito, o primeiro que me ocorre é sempre o mesmo: “Casablanca”. É também o filme que vi mais vezes na vida: pelo menos uma dezena de vezes. Sempre que dá na televisão, não consigo mudar de canal. E assim, tinha de começar esta rubrica por aqui. Só isso fazia sentido.

É difícil falar sobre”Casablanca”. Parece que tudo aquilo que podia ser dito sobre o filme já foi dito. Ou escrito. É o resultado de décadas de estudo e análise cinematográfica de uma obra que o merece. E isto é talvez a prova definita da sua imortalidade, o facto de ainda hoje ser discutida e debatida por cinéfilos, dissecada até ao último detalhe como bela obra de arte que é. Por isso, não vou explorar aqui o filme em termos exaustivos. Talvez o faça numa série de artigos posteriores, mas não é esse o meu propósito aqui. Neste texto apenas pretendo explicar o porquês desta bela amizade com “Casablanca”.

“Casablanca” é, para mim, um filme perfeito. O cineasta Howard Hawks costumava dizer que um bom filme precisa de ter três boas cenas e nenhuma má. “Casablanca” passa neste teste com distinção e quase sem se esforçar. Tem dezenas de cenas enigmáticas, que ainda hoje são um marco na história do cinema e que ajudaram a construir a cinematografia de um número difícil de determinar de realizadores ao longo da história Existem poucas cenas na história do cinema com o impacto do momento em que Lazlo ordena à banda que toque A Marselhesa. Ou aquele olhar de Rick a Ilsa que parece abarcar toda a saudade e compaixão do mundo

Para além disso, “Casablanca” é quase um manual de como tornar uma história aparentemente simples em algo magistral. A história em si poderia ser resumida em poucas linhas, mas dificilmente faria justiça a um argumento que está sempre carregado de nuances e de pequenos detalhes, a descobrir em cada nova visualização. “Casablanca” é uma história de esperança, de resistência, de luta por um ideal, de perda, de saber abdicar. É cinema no seu estado mais puro: nunca é pretensioso, e é sempre belo.

Outro aspeto que distingue “Casablanca” é que é quase infinitamente possível de ser revisto. Cada visualização leva o espectador a descobrir novos detalhes. Por exemplo, tendo já visto o filme um grande número de vezes, de cada vez que o volto a ver sinto que é a primeira vez que o descubro. Por mais vezes que o tenha visto, fico sempre maravilhado por voltar a ver como a história se desenrola. Sinto sempre as emoções como se fosse a primeira vez.

E há também toda a beleza visual do filme. “Casablanca” é daqueles filmes que só pode ser visto em preto e branco. As cores estragariam o seu efeito melancólico, algo que raramente se pode dizer sobre um filme. O café de Rick tem sempre um ambiente de vida, apesar de nem sempre a vida o justificar, e cada personagem parece maravilhosamente completa, mesmo que apareça apenas alguns segundos no ecrã-

Por isso, poderia falar muito mais sobre o filme, mas não o vou fazer. É mais proveitoso que sejam vocês a ir vê-lo (ou revê-lo). É uma experiência sem igual, que tem de ser descoberta por cada um. É verdadeiro cinema. Daquele para o qual verdadeiramente se pode olhar e dizer “Hollywood já não faz filmes assim”. Mas a verdade é que não o poderia fazer. Como é que conseguiria estar a esta altura?

Teremos sempre Casablanca.

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