Crítica: Star Wars: Episódio VIII – Os Últimos Jedi (Star Wars: Episode VIII – The Last Jedi) – 2017

Let the past die. Kill it, if you have to. That’s the only way to become what you are meant to be.

Se O Despertar da Força foi sobre o passado, Os Últimos Jedi é sobre o futuro. Enquanto o filme de JJ Abrams honrou aquilo com que crescemos para nos lembrarmos do porquê de Star Wars ser o fenómeno que é, o oitavo episódio da série é sobre continuação, sobre levar a saga para caminhos totalmente novos. Talvez seja por isso que o filme de Rian Johnson é um dos melhores blockbusters desde que O Império Contra-Ataca se tornou num clássico em 1983.

O filme começa por parecer que pode seguir o medo que vinha do episódio anterior e tornar-se num remate de Império. No entanto, cedo se percebe que isso nunca foi a ideia de Johnson. Este pretende arriscar, levar-nos por caminhos que nunca julgámos possíveis e com isso surpreender-nos a cada volta do argumento. E a verdade é que o consegue – este é dos filmes mais inesperados da saga. Quando chega ao fim, o status quo está completamente diferente e promete nunca mais ser o mesmo.

Por outro lado, Johnson brinca com as nossas crenças de que sabemos como é que a história se vai desenrolar. “This is not going to go the way that you think”, diz a certo ponto Luke Skywalker, na frase que pode resumir aquilo que Os Últimos Jedi é na sua essência. Em certos momentos, quando parece que já estamos a adivinhar o que vem a seguir, o filme decide ir totalmente contra as nossas expectativas e apanhar-nos de surpresa. E é algo maravilhoso de se ver.

Não vou dar spoilers sobre o filme, porque este merece ser descoberto por cada um. A história começa onde O Despertar da Força acabou – Rey encontrou Luke Skywalker, o lendário cavaleiro Jedi, que pode significar uma nova esperança na luta contra a First Order. Vão-nos sendo apresentados os estados de cada uma das personagens, quer das novas como das da trilogia original. E a partir daí, a história avança de forma sublime, sempre mais carregada de ideias e de construções do que de cenas de ação. E sem grandes dúvidas, acho que se pode afirmar facilmente que temos aqui o pináculo de argumento da série, que vai ficar ao lado de O Império Contra-Ataca como o mais brilhante na saga.

Passando a alguns dos aspetos fundamentais, sem, mais uma vez, dar qualquer spoiler.

Depois da surpresa da quase total ausência de Luke em O Despertar da Força, a expectativa era elevada para como é que seria o regresso do Jedi. Pois bem, este é no mínimo surpreendente. Este é um Skywalker totalmente novo, marcado pelo passado e angustiado com o presente. É possível defender que finalmente a personagem atingiu o seu apogeu de construção. Graças a Johnson, Luke prova porque é que foi e merece continuar a ser um herói da cultura popular.

E é graças a isso que esta é, de longe, a melhor interpretação de Mark Hamill. O filme obriga-o a ir para territórios em que este nunca tinha estado, e o ator prova estar à altura. Provavelmente será este o aspeto mais controverso do filme junto dos fãs da saga, mas acho que Luke não podia ter tido melhor regresso. Será uma personagem que vai merecer ainda mais discussão ao longo dos próximos anos, e que mais do que nunca vai ficar marcada na história da sétima arte.

Por outro lado, existe aqui uma derradeira passagem de testemunho para estas novas personagens. Os Últimos Jedi deixa definitivamente estabelecido que esta é a trilogia de Rey e dos seus companheiros, sendo ainda apresentadas novas personagens que aprofundam a saga, como Rose, uma personagem que trabalha em áreas de manutenção da Resistência e de repente se vê envolvida em algo que é muito maior do que ela.

Estamos também perante um filme que parece sempre novo, sempre inovador. É óbvio que Johnson é fã da saga, e isso transparece em cada frame. E é graças à sua imaginação que este filme é tão bem sucedido: existem aqui pormenores deliciosos, construção de mundos maravilhosos e desenho de cenas que parecem saídas diretamente da imaginação de uma criança. Johnson convida-nos a todos a entrar dentro da sua versão da sandbox, e é difícil não sair com um sorriso na cara.

Tendo já visto o filme duas vezes, posso também dizer que The Last Jedi é daqueles que se torna melhor a cada visualização. O argumento, complexo como é, pede que assim o seja, sendo que o filme pode ser mais apreciado numa segunda experiência em que se esteja mais concentrado nos pequenos detalhes. É uma história bastante densa e ampla, que precisa de tempo para ser digerida – daí que depois de o ver pela primeira vez tenha decidido esperar uns dias para escrever esta crítica.

Há também um aspeto que importa referir – Carrie Fisher. Infelizmente, a eterna princesa Leia partiu no último ano, sendo que esta a sua última interpretação. Pois bem, não se podia pedir mais. Fisher está excelente como de costume, e a eterna princesa, agora general, ganha o destaque merecido neste filme. É complicado descrever sem spoilers porque é que esta despedida é tão perfeita, mas o facto é que o é. A memória de Fisher vai ficar bem viva depois disto.

 

Quando o filme acaba, sente-se que o futuro da saga dificilmente poderia ser mais risonho. Como referido o status quo está totalmente alterado e existe uma enorme imprevisibilidade, sendo impossível adivinhar como é que tudo isto vai acabar. Alguns fãs vão sair descontentes, mas a verdade é que existe aqui uma construção notável, que expande esta galáxia muito distante em sentidos totalmente novos, até agora inimagináveis. Johnson atravessou o labirinto e deixou as indicações do mapa para quem lhe sucede, construindo um futuro promissor para uma saga com mais de 40 anos.

Por isso, já não deve ser difícil de prever que adorei Os Últimos Jedi. Não é apenas um excelente filme de Star Wars, mas um grande filme enquanto filme per si. Original e inovativo, é uma experiência única que prova o porquê de ainda se dever dar uma hipótese aos blockbusters de grande orçamento quando feitos com o coração certo. No futuro, é bem provável que seja apreciado como um dos pontos mais altos numa saga que marca um dos pilares da cultura popular. Venha o Episódio IX!

Nota final: 10/10

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Site no WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: