Crítica: O Guarda-Costas e o Assassino (The Hitman’s Bodyguard) – 2017

“O Guarda-Costas e o Assassino” entrega precisamente aquilo que promete. Não é grande arte nem nunca o procura ser. Acima de tudo, o seu grande objetivo é divertir e a verdade é que o faz ao longo de toda a sua duração, resultando numa das surpresas mais agradáveis do verão, e no tipo de filme que todos nós dizemos que queremos que Hollywood faça com mais frequência.

O filme acompanha Michael Bryce (Ryan Reynolds), um guarda-costas de topo que se vê envolvido em proteger um assassino a soldo, Darius Kincaid (Samuel L. Jacksons), uma parte fundamental no julgamento de um antigo ditador da Bielorrússia (Gary Oldman). O problema é que Bryce e Kincaid já partilham um passado, visto que o assassino já protagonizou várias tentativas de homicídio de clientes de Bryce.

Por isso, estamos perante um regresso às “buddy comedies”. Nos últimos anos temos tido várias viagens a este género, com destaque para o excelente (e sempre merecedor de menção) “Bons Rapazes” de Shane Black (que, curiosamente, foi um dos nomes responsáveis por popularizar o sub-género). No entanto, ao contrário do filme de Black, “O Guarda-Costas e o Assassino” funciona principalmente como uma paródia ao género, onde se encontram todos os clichés que se associam a estes filmes.

Assim, seria fácil de apelidar o filme de previsível (como muitos críticos já fizeram), mas isso parece-me precipitado: muito daquilo que vem de outros filmes pretende parodiar esses mesmos filmes, e geralmente corre bem. Para além disso, o filme funciona em si próprio, não sendo necessário entender os momentos de paródia para que se consiga desfrutar de tudo o que é aqui oferecido.

Sendo esta uma “buddy comedy”, a química entre os seus protagonistas é fundamental, e é aí que “O Guarda-Costas e o Assassino” brilha principalmente. Reynolds e Jackson estão no topo da sua forma, brilhando cada um no seu papel e trazendo o melhor do outro em cada momento. Sempre que os dois estão juntos sente-se que existe uma verdadeira conexão entre os dois, que conseguem fazer todas as piadas funcionar de forma de surpreendente, particularmente Jackson, que assume o papel de protagonista de um filme após vários anos em papéis secundários e parece divertir-se à brava.

É esta química entre os protagonistas que eleva o filme e faz perdoar várias das suas falhas mais graves. O resto do elenco também merece destaque, principalmente Gary Oldman, um ator que mostra mais uma vez que consegue fazer tudo o que quer. O português Joaquim de Almeida também dá conta do recado, numa participação surpreendente alargada e que mostra mais uma vez que o ator está à altura dos blockbusters de Hollywood (um à parte: o ator português também vai estar em “Downsizing”, que parece ser dos filmes mais interessantes do ano).

No entanto, nem tudo são rosas. Em primeiro lugar, o argumento nem sempre funciona plenamente. Há vários erros que são demasiado óbvios e cenas em que não podemos pensar demais. Para além disso, as personagens não recebem grande desenvolvimento nem crescimento, apesar dos esforços de Reynolds e Jackson as tornarem suficientemente interessantes e até ocasionalmente profundas – mas isso é principalmente mérito dos atores e não do argumento.

A hiper-violência aqui presente também poderá incomodar alguns. No entanto, aprece-me que esta acaba por nunca ser elogiada pelo filme, que inclusivamente tira momentos para discutir, de forma surpreendentemente inteligente, os comportamentos dos seus protagonistas. O humor não é tão constante como se poderia esperar, mas quando existe costuma funcionar bastante bem, existindo momentos que são hilariantes sem recorrerem a piadas fáceis.

Visualmente o filme também consegue ser divertido, apesar de não trazer nada de novo. As cenas de ação são bem conseguidas e algumas deliciosamente over-the-top, e muitas vezes acompanhadas por uma banda sonora que acrescenta um estilo ao filme que nunca é excessivo mas sempre agradável. Patrick Hughes consegue sempre manter o filme equilibrado nestes aspetos, fazendo valer o preço do bilhete.

Por isso, “O Guarda-Costas e o Assassino” é um filme que sabe aquilo que é e nunca tenta ser mais do que isso. Num verão em que a grande maioria dos blockbusters roçou a mediocridade, é um filme que quase que parece uma lufada de ar fresco pelo entretenimento ligeiro que oferece, elevado pelas interpretações dos seus protagonistas. Vão com as expetativas certas e podem sair surpreendidos.

Nota final: 6,5/10

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