Dunkirk, Baby Driver, e a importância do som no cinema

“Dunkirk” e “Baby Driver” são, de longe, os melhores filmes do verão (e provavelmente do ano até agora). De facto, são dois filmes de dois dos melhores realizadores a trabalhar atualmente: Christopher Nolan e Edgar Wright. As duas obras não podiam ser mais diferentes: o primeiro é um épico de guerra e de sobrevivência sobre a evacuação de Dunkirk na segunda guerra mundial, enquanto o segundo é uma comédia de ação sobre um piloto de fuga em assaltos. No entanto, ambos os filmes têm um aspeto em que partilham grandes semelhanças: a importância que dão ao som.

No caso de “Dunkirk”, Nolan sempre apostou na forte influência do som no seu trabalho. Mais uma vez, é Hans Zimmer o responsável pela banda sonora do épico. Nolan utiliza a banda sonora de Zimmer (pessoalmente acho que é a melhor que este já compôs) e a mistura e edição de som para formar uma obra incrivelmente tensa, em que o nosso coração acelera consoante o som do filme. Zimmer utiliza uma técnica estrondosa: insere constantemente na banda sonora o som dos ponteiros de um relógio, que criam uma imensidão de suspense que nos leva ao limite.

É a forma de Nolan acentuar o perigo de uma situação-limite. Para se poder experimentar verdadeiramente o filme, tem de se o ver numa sala de cinema com o volume mais alto possível – quem o fizer deste modo, vai atingir uma imersão que quase nunca foi conseguida no cinema. É algo que Nolan já fizera com “Interstellar” e que aqui afina até à perfeição, até atingir a mistura ideal de som e imagem. “Dunkirk” é cinema em estado puro, puxando por todos os nossos sentidos em todos os momentos e sem nunca nos dar descanso ao longo de toda a sua duração, muito devido ao seu poderio sonoro.

Já “Baby Driver” utiliza o som de uma forma totalmente diferente. Edgar Wright utiliza um conceito completamente inovador: toda a ação do filme é coordenada pela música que Baby ouve através do seu iPod. Por isso, em vez de uma banda sonora original, Wright prepara uma playlist que corre quase todos os géneros e estilos, e deixa o filme seguir como um musical de ação.

Poderia parecer impossível fazer o que Wright fez, mas a verdade é que o realizador britânico conseguiu ultrapassar todos os padrões expectáveis com a sua precisão no design das cenas para coincidirem com a batida da música. O som é tão importante como a imagem, e temos momentos de cortar a respiração em que até as balas estão coordenadas com o som. Mais uma vez, é cinema para os vários sentidos, que puxa tanto pelos ouvidos como pelos olhos.

Estes são apenas dois exemplos recentes de como o som pode ser usado para elevar um filme. “Dunkirk” e “Baby Driver”, apesar de serem filmes completamente diferentes, utilizam o som aliado à imagem para criar experiências distintas, enquanto provam simultaneamente a importância do cinema em sala.

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