Crítica: Homem-Aranha: Regresso a Casa (Spider-Man: Homecoming) – 2017


Spider-man tem tido uma evolução curiosa no cinema. Este é o seu segundo reboot e terceira franchise neste século – mas desta vez, com a promessa de um “regresso a casa”, o Marvel Cinematic Universe onde o aranhiço já se tinha estreado em “Guerra Civil”. E Jon Watts prova estar à altura, entregando aquela que é, se não a melhor, a mais fiel versão do super-herói.

Havia um sério risco de saturação aqui. Afinal, esta é a terceira versão do aranhiço! No entanto, o filme tem a perspicácia (e piedade, diria eu) de não nos voltar a mostrar como é que Peter Parker ganhou os seus poderes, ou a morte do seu tio Ben. Em vez disso, começa imediatamente a seguir aos eventos de “Guerra Civil”, com Peter a ser “largado” por Tony Stark de volta a Queens, com uma promessa de que voltará a ser chamado quando a sua ajuda for precisa.

O Peter Parker que aqui é apresentado é, acima de tudo, um estudante do secundário a quem foi dada uma responsabilidade enorme. É alguém que ainda nºao sabe lidar completamente com os seus poderes nem com o que eles represenatm, procurando fazer o melhor possível para ajudar os “little guys” de que a certo ponto fala Stark. A sua atuação nunca é perfeita, e muitas vezes fica a dúvida de se não prejudica mais do que ajuda, apesar das suas inteções.

Tudo isto é o efeito de um estilo bastante bem definido por Jon Watts. O realizador e a sua equipa de argumentistas decidem aposta num filme de adolescentes, que quando se dedica a essa temática atinge níveis de excelência surpreendentes, e onde a inspiração de John Hudges é clara. A vida de Peter no secundário é apresentada de forma bastante divertida, tornando o filme bastante refrescante num género ao qual, por vezes, falta diversidade. Sempre que o protagonista anda atrás da sua paixão, Liz, ou a conviver com o seu melhor amigo Ned, há uma sinceridade no filme que o tornam irresístivel.

E nada disto seria possível sem Tom Holland. O jovem ator prova ser o melhor Homem-Aranha que a sétima arte já nos ofereceu, algo que, sejamos honestos, é possibilitado muito em parte por realmente parecer um estudante do secundário. Mas para além disso, Holland tem um carisma que marca a personagem, e uma presença surpreendentemente forte. É assim que se nota que apesar de ainda não ter a mestria de Andrew Garfield enquanto ator, consegue dominar melhor a personagem por estar mais associado a esta.

Curiosamente, onde o filme falha ligeiramente é na ação. Esta parece que vem sempre interromper o desenvolvimento de Peter, apesar de ser assumidamente bem filmada e com um sentido de humor muito bem afinado (tal como o resto do filme também tem). No entanto, isso não prejudica muito o filme, e a última cena de ação, em que Peter tem de combater Vulture, o vilão interpretado por Michael Keaton, torna-se numa das melhores que a Marvel nos oferceu nos últimos anos por ser tão contida – o mundo aqui não está em perigo, no máximo o bairro está em risco, e essa escala é maravilhosa de se ver num tempo em que os estúdios pensam que maior é melhor.

Falando em Michael Keaton, não posso revelar o porquê de ter gostado tanto da sua personagem sem estragar o terceiro ato do filme. No entanto, apesar de o seu vilão poder parecer de início uma personagem bastante mal constuída, Jon Watts tem uma carta na manga que o torna numa personagem bastante curiosa, e que no fundo é uma metáfora hilariante. É mais uma grande interpretação de Keaton, que nos últimos anos apresentou três excelentes papéis em “Birdman (ou a inesperada virtude da ignorância)”, “O caso Spotlight” e “O Fundador”.

Surpreendente é também o quão “stand-alone” o filme acaba por ser. Apesar de se inserir no universo Cinematográfico da Marvel, “Regresso a Casa” acaba por ser, acima de tudo, uma aventura do Homem-Aranha. Tony Stark provavelmente aparece pouco mais de 5 minutos, e há várias referências que nos lembram que este Spidey existe no MCU, mas a verdade é que o filme se aguenta sempre sobre si próprio, sem recorrer ao trunfo dos “Vingadores” constantemente. Por outro lado, por motivos que resultam dos eventos de “Guerra Civil”, há finalmente uma boa razão para os outros heróis não aparecerem quando o perigo surge.

No fim de contas, “Regresso a Casa” está perto de ser a melhor versão de Spider-Man no cinema. Tom Holland domina papel principal e a perspicácia de Jon Watts para oferecer algo totalmente novo no género faz deste um dos filmes mais refrescantes e divertidos do verão, Que funciona como grande entretenimento para toda a família.

Nota final: 8/10

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