Os melhores filmes de 2017 até agora

Hoje decidi olhar par aquilo que 2017 nos deu até agora em termos cinematográficos e escolher os melhores filmes que vi nos primeiros meses do ano. Apesar de já termos tido alguns filmes genuinamente maus, também já tivemos alguns verdadeiramente bons, alguns dos quais provavelmente ainda estarão nas listas de melhoress filmes quando chegarmos ao fim do ano.

Assim, decidi considerar as datas de estreia nos EUA, de modo a não incluirmos filmes que apesar de terem estreado em Portugal em 2017 são, para todos os efeitos de 2016. De outro modo,  esta lista seria principalmente constituído por filmes nessas circunstâncias, até porque quase a grande maioria dos meus filmes favoritos do ano passado apenas estrearam em Portugal no início de 2017.

Por isso, aqui está a lista, por ordem alfabética:

Alien: Covenant

“Alien: Covenant” levou a saga de voltas às sua origens de terror. Após a receção amena de “Prometheus”, Ridley Scott decidiu pegar na saga e levá-la ate ao passado, num filme violentíssimo, bastante perto do espírito do filme original de 1979. E de facto conseguiu um resultado muito mais positivo do que o alcançado pelo filme anterior. A narrativa funciona melhor, evitando alguns momentos de estupidez que prejudicavam os anteriores, e quando o filme decide assustar os espetadores fá-lo com mestria, oferecendo sangue em quantidades bem elevadas e criando momentos de suspense que são genuinamente pesados. Os temas sobre a origem da humanidade continuam a ser explorados, desta ver de uma forma mais subtil e oferecendo uma profundidade interessante ao argumento, tocando em temas metafísicos de uma forma que não é comum num blockbuster. Para além disso, Scott aposta num final bastante arriscado, mas que funciona de forma surpreendente, criando uma curiosidade para o que a saga fará a seguir.

 

Foge

“Foge” é, de todos os filmes que aponto nesta lista, um daqueles que tem maior probabilidade de acabar o ano ainda no top de melhores filmes de 2017. A estreia de Jordan Peele na realização é um thriller social potente, tocando em várias feridas do mundo atual de forma magistral. Enquanto filme de terror, é um dos mais originais que se viram em anos, ameaçando revolucionar o género inteiro, algo que muito poucos filmes conseguem fazer. A sua excelência é também o resultado de um timing tremendo de Peele para criar suspense nos momentos certos, algo que pode advir da sua qualidade como comediante, visto que fazer o espectador assustar-se e rir-se não são realidades tão distantes como se poderia pensar. Além disso, apresenta um argumento que roça a perfeição e uma execução que nunca é menos do que exemplar, com uma segurança que não seria de esperar de um primeiro filme e alguns planos totalmente novos.  “Foge” é um filme que provavelmente dará muito que falar nos próximos anos – e com razão.

 

Fragmentado

E aqui temos mais um thriller/ filme de terror (o que é curioso, visto que este costuma ser um dos géneros que menos aprecio!). “Fragmentado” representa o regresso de Shyamalan à grande forma, após vários fracassos na realização de blockbusters de grande orçamento. Utilizando um budget muito mais apertado, típico do modelo da Blumhouse, aquele que em tempos foi considerado o “próximo Spielberg” cria aqui um thriller maravilhoso e perspicaz, utilizando um conceito bastante curioso: Kevin, um homem que tem 23 personalidades diferentes dentro de de si, rapta três adolescentes e mantém-as em cativeiro em sua casa. Não estamos perante um filme de terror genuíno, visto que os sustos são em número reduzido, apesar de Shyamalan conseguir criar um suspense constante no espetador. Mas aquilo que eleva definitivamente “Fragmentado” é a interpretação de James McAvoy como Kevin. É uma interpretação bastante complexa, visto que McAvoy está a interpretar várias personagens em simultâneo, e troca entre elas com uma subtiliza e graciosidade genial. É um papel tão poderoso que merece pelo menos ser considerado na época de prémios do fim do ano. Ah, e depois à aquele twist brilhante no fim do filme, algo que só podia sair da cabeça de Shyamalan. Já tínhamos saudades.

 

Guardiões da Galáxia Vol. 2

O primeiro “Guardiões da Galáxia” é o melhor filme que a Marvel nos ofereceu ate agora. Por isso, a expectativa para este “Volume 2” era bastante elevada, e a verdade é que James Gunn consegue entregar aquilo que promete, apresentando uma sequela que faz justiça ao filme original. É bastante agradável voltarmos a ver estas personagens (que foram, sem dúvida, um dos factores para o sucesso do filme original) e o filme consegue manter o tom anárquico do seu antecessor. O humor funciona novamente, com cenas que são simplesmente hilariantes (basta ver a maioria das cenas com Groot), e os momentos de ação oferecem o eye-candy que seriam de esperar de um filme do género. Para além disso, o argumento consegue oferecer uma densidade emocional que não seria de esperar, com um final realmente comovente que só prova a forca da série como uma das mais fortes dentro do universo da Marvel. Não é tão delirante como o anterior, mas mesmo assim é entretenimento ao mais alto nível, e uma excelente oferta no seu género.

 

Lego Batman: O Filme

“O Filme Lego” foi uma excelente surpresa – aquilo que podia ter sido apenas um “cash grab” feito para lucrar com a marca acabou por se tornar num dos filmes mais originais do género dos últimos anos, muito em parte devido à criatividade louca dos seus realizadores, a dupla constituída por Phil Lord e Chris Miller (já agora, não sei o que é aconteceu com o spin-off de Han Solo, mas foi umas enorme oportunidade perdida estes dois não terem tocado na saga). Assim, poucos anos depois chegou-nos “Lego Batman: o Filme”, centrado desta vez no cavaleiro das trevas. A anarquia do primeiro filme não se perdeu, e o que aqui temos é uma obra delirante, com um humor constante disparado em todas as direções e um sentido de novidade incrível. É a prova de que estes filmes de Lego estão a seguir uma trajetória surpreendentemente boa, constituindo grande entretenimento, não só para os miúdos como também para os adultos (está cheio de referencias aos filmes anteriores de Batman e à banda desenhada, assim como a outros conteúdos de entretenimento). Para além disso, tem um terceiro ato que apresenta um grande confronto não sabia que precisava de ver até o ter visto!

Logan

Neste momento, há a tentação de dizer que “Logan” está lá bem no cimo, juntamente com “O Cavaleiro das Trevas”, como um dos melhores filmes de super-heróis de sempre. No entanto, isso é algo redudante para esta despedida de Hugh Jackman das garras que marcaram a sua carreira: é que “Logan”, tal como a obra de Nolan, ultrapassa o género. Tem uma identidade muito mais próxima do western do que de uma adaptação de banda desenhada. No fundo, transcende géneros: é algo próprio, resultado de um risco tremendo tomado por James Mangold, que faz aqui de Wolverine uma personagem que, acima de tudo, é humana, e que sente o fardo de ter carregado os seus poderes ao longo de tanto tempo. É um drama humano, sobre personagens destroçadas que apenas procuram alguma redenção, com uma densidade emocional e violência tão extrema que apenas vêm adensar o tom melancólico que marca toda a obra. Depois disto, é melhor que Wolverine e o Professor X se tenham mesmo retirado: é que vai ser muito difícil ultrapassar o alcançado com “Logan”.

 

Mulher Maravilha

“Mulher Maravilha” carregava bastante sobre si: em primeiro lugar, era o primeiro blockbuster com um orçamento deste calibre a ser realizado por uma mulher; depois, tinha de justificar o universo cinematográfico da DC, que até agora ainda não tinha convencido nem espetadores nem críticos; por fim tinha de provar a viabilidade de um filme de super-heróis encabeçado por uma personagem feminina. O resultado final consegue assegurar isto tudo e muito mais, naquela que é uma das maiores histórias de sucesso do Verão até agora. Com uma caracterização da Segunda Guerra Mundial brilhante e uma componente visual fortíssima, Patty Jenkins conseguiu criar o primeiro sucesso incontestável do DCEU, enquanto ofereceu uma obra que faz completa justiça à sua heroína. Para além disso, Gal Gadot oferece uma interpretação que marca a personagem e a sua própria carreira. O futuro é risonho para esta “Mulher Maravilha”.

 

T2 Trainspotting

“Então Mark, o que é que tens feito nos últimos 20 anos?”, pergunta a certo ponto Sick Boy (agora conhecido por Simon) a Mark Renton. É uma frase que toca: já passaram 20 anos desde que o primeiro “Trainspotting”, a obra-prima de Danny Boyle, estreou e marcou toda uma geração. E porque é que aqui voltamos agora? Voltando a citar Simon, pela nostalgia – somos todos turistas no nosso passado. É maravilhosamente estranho voltar a encontrar este grupo, e é essa a ideia de Boyle. O filme parece uma viagem de regresso, um pequeno encontro com estas personagens para sabermos o que é que se passa com elas. Boyle sabia que seria impossível atingir o nível do original, e nem o tenta: em vez disso, oferece uma viagem à memória, uma análise à nostalgia e à meia-idade de quem nunca teve uma vida fácil. E o encanto continua todo aqui – quando Rent sorri, novamente quase a ser atropelado por um carro, é difícil acreditar que já passaram 20 anos. E depois há uma cena em que o filme prova que a genialidade envolvida não se perdeu em duas décadas: quando Renton começa a explicar o que significa “choose life” e de repente começa a divagar, vamos todos com ele, regressamos todos ao passado, e quando finalmente aterra na realidade, também nós aterramos com ele. São uns minutos alucinantes que nos provam como muito mudou – mas como também muito ficou na mesma. Talvez daqui a 20 anos voltemos a estas personagens. Porquê? Pela nostalgia, claro.

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