Crítica: A Múmia (The Mummy) – 2017

“A Múmia” é um daqueles filmes que me faz sentir que apenas perdi tempo a vê-lo. É um filme terrível, sem qualquer valor em nenhum aspeto, que representa muito do pior que se faz nos blockbusters de verão. É um filme que nunca funciona, tendo raramente momentos que justifiquem a sua existência.

O filme começa relativamente mal. É-nos dado a conhecer o soldado Nick Morton (Tom Cruise), que está em missão no Iraque e que é o típico “bad boy” de serviço, com o seu ar de mauzão e que vai fazendo uns negócios de artefactos históricos no mercado negro. A abrir vem logo uma cena de ação bastante convencional, com um típico tiroteio contra locais que termina com uma explosão que revela a Nick um túmulo onde este encontra, juntamente com Jenny (Annabelle Wallace) um túmulo que contém a múmia do título.

Numa sequência marcada por tanta estupidez que até parece difícil que seja possível, a múmia é solta do seu túmulo e levada com os protagonistas, em direção à ameaça do mundo como o conhecemos. E a partir daí o filme é sempre a cair, sem nunca encontrar uma direção concreta ou um pelo menos uma orientação – é óbvio que se quer chegar às cenas de ação, e a “história” que vai sendo desenvolvida só serve para isso mesmo.

O filme perde ainda mais quando em comparação com o filme de 1999 (que também já era um remake). Enquanto esse filme sabia ser divertido e divertir quem o via, com cenas de ação bastante bem coreografadas e um humor constante, tudo funcionava melhor do que neste filme. A obra de 99 também conseguia ser bem mais assustadora do que esta, contendo sustos genuínos, algo que esta múmia nunca consegue provocar.

Tom Cruise também está bastante mal no filme. Para além de o ator nunca ser a escolha acertada para o papel, aquilo que aqui faz fica sempre muito aquém do seu papel. Acredito que muito da culpa disso seja de Alex Kurtzman, que parece não saber orientar nenhum ator para aquilo que pretende fazer – e com isso Cruise passa o filme perdido, sem saber bem o que está para aqui a fazer e misturando uma série de personagens suas. Bem, pelo menos há que elogiar o facto de conseguir dizer certas frases do argumento com um ar sério – isso sim é louvável!

Se Cruise e o seu protagonista “by-the-numbers” ficam bastante atrás de Brendan Fraser  e do seu Rick O’Connell (de quem se sente uma estranha saudade após este desastre), o resto das personagens também não se conseguem comparar ao do original. Destaca-se principalmente Jenny, a parte feminina do filme, que apenas existe para ser salva por Cruise. É um retrocesso quase cómico em relação ao filme de há 18 anos (aqui está ele outra vez!), onde Rachel Weisz já criava uma personagem feminina forte e com personalidade (algo que esta Jenny não tem), que para além de ser, de facto, o interesse amoroso do protagonista masculino também era a principal responsável por o grupo avançar na sua exploração. Apenas há alguma redenção em Russell Crowe, que com uma personagem totalmente over-the-top consegue trazer alguma alegria ao ecrã, apesar de ele conseguir fazer isto a dormir.

Depois há um terceiro ato que ainda afunda mais o filme (parecia impossível, mas o filme fá-lo com distinção… retirem o que quiserem disso). Seguindo a carnificina que é requerida por qualquer blockbuster de verão atualmente, o filme parte para umacena de ação que destrói parcialmente Londres sem que os protagonistas tenham qualquer preocupação com o número de vítimas ou com a destruição em massa que os cerca. Quando parecia que os filmes de grande orçamento estavam finalmente a tentar resolver estas questões (veja-se “Batman v Superman” e “Capitão América: Guerra Civil”, que discutiam diretamente estes assuntos), “A Múmia” decide que quer destruir tudo, com CGI que não consegue se quer ultrapassar muito daquilo que foi feito no filme de 1999. Talvez venha aí um filme em que o Frankenstein decide anda à tareia com Tom Cruise pela sua irresponsabilidade perante toda a situação!

 E se pensava que isto não podia piorar, o final é dos piores que vi num blockbuster nos últimos anos. Não o vou estragar(?), mas é uma decisão tão estúpida, que obviamente serve para construir o Dark Universe da Universal, que simplesmente enfurece o espetador. É ridículo, tal como todo o filme tinha sido até aí. Provavelmente é o final que melhor sintetiza o filme. Até me sinto mal por citar isto perante um filme tão mau, mas aqui vai: “É o final que ‘A Múmia’ merece, mas não aquele de que precisa agora” (desculpa Nolan).

Por isso, “A Múmia” é um péssimo filme. É uma obra que quase que não tem valor, falhando redondamente em quase todas as horas. Se não se levasse tanto a sério até se podia inserir na categoria do “tão mau que até é bom”, mas nem para isso é apto. É um lançamento péssimo para o Dark Universe, que põe fim a qualquer entusiasmo que pudesse haver para o seu futuro.

Nota final: 1,5/10

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