Especial: Os melhores filmes da década até agora

Estamos em 2017, o que significa que faltam 3 anos para a década terminar. No entanto, achei interessante fazer já uma análise daqueles que são, até agora, os melhores filmes da corrente década. O objetivo será ver se daqui a três anos este top está igual (o que seria espetacular, pois apenas teria de voltar a partilhar este post) ou se sofreu alterações (o que seria ainda melhor, visto que muitos destes filmes já são clássicos, e a serem superados era sinal de que a produção cinematográfica futura vai ser bastante saudável).

Por isso, decidi escolher de forma totalmente subjetiva aqueles que são os 20 melhores desta década. Todos estes filmes têm uma quantidade notável, fazendo algo notável pelo cinema e, mais importante, foram aqueles que tiveram um maior impacto em mim. Por isso, sem mais conversa, aqui fica a lista, sendo que os filmes 11 a 20 são apenas enunciados enquanto os que se encontram no top 10 são alvo de análise:

 

20. Gravity, de Alfonso Cuáron (2013)

 

19. O herói de Hacksaw Ridge, de Mel Gibson (2016)

 

18. Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller (2015)

 

17. Argo, de Ben Affleck (2012)

 

16. Birdman (ou a inesperada virtude da ignorância), de Alejandro G. Iñárritu (2014)

 

15. Eu, o Earl e a Tal Miúda, de Alfonso Gomez-Rejon (2015)

 

14. Star Wars Episódio VII: O Despertar da Força, de J.J. Abrams (2015)

 

13. Em Parte Incerta, de David Fincher (2014)

 

12. Interstellar, de Christopher Nolan (2014)

 

11. O Renascido, de Alejandro González Iñárritu (2015)

 

E assim chegamos ao top 10!

10. A propósito de Llewyn Davis, Joel e Ethan Coen (2013)

“A propósito de Llewyn Davis” é um filme de tal modo melancólico e nostálgico que nos aquece o coração. Esta comédia negra dos irmãos Coen, que acompanha uma semana na vida de um cantor folk, é um retrato intímo do mundo musical da década de 60, numa realidade em que cantores como o aqui ficcional Llewyn Davis tentavam arrisacar e conseguir o seu lugar no estrelato, enquanto nomes como Dylan esperavam para revolucionar o género. Os Coen conseguem capturar magistralmente uma atmosfera quase trágica, tornando Davis numa personagem que é simplesmente memorável. É um filme tão único que nos consegue fazer rir das desgraças que acontecem ao longo da história, num estilo que apenas dois génios como os que nos apresentaram esta obra magnífica conseguiriam fazer. “A propósito de Llewyn Davis é mais uma prova de que estamos perante duas das vozes mais originais do cinema americano moderno.

 

9. O lobo de Wall Street, de Martin Scorsese (2013)

Poucos realizadores se podem orgulhar de ter uma carreira como a de Martin Scorsese. Afinal, são poucos os que tenham tantos clássicos como ele. E nesta década, já nos apresentou mais um: “O lobo de Wall Street”. A viagem de Scorsese ao mundo da bolsa americana é uma análise anárquica ao sonho americano e a tudo o que este acarreta. Com cerca de três horas de duração, podia correr o risco de ser demaisado repetitivo ou aborrecido, mas o mestre nunca o permite: injeta sempre a dose certa de adrenalina, dando ao filme um tom tão rápido à história  que essas horas passam a voar. Para além disso, tem uma das melhores interpretações da carreira de DiCaprio (o que quer dizer mesmo muito).

Ao contrário do que se possa penar, devido à quantidade de drogas e sexo explícito que o filme envolve, apenas um realizador com a experiência de Scorsese poderia realizar um filme destes – é preciso aquele tom de génio que ele foi conquistando ao longo da carreira. E assim nasceu um filme que vai ser mencionado ao lado de clássicos como “Tudo Bons Rapazes” e “Touro Enraivecido).

 

8. Divertida Mente, de  Pete Docter e Ronaldo Del Carmen (2015)

“Divertida Mente” é a Pixar ao seu mais alto nível. Com um conceito arrasador (e se as nossas emoções forem controladas por seres que habitam dentro da nossa mente?) e uma execução a roçar a perfeição, é a prova definitiva de que a Pixar ainda é o único estúdio a conseguir produzir filmes de animação que apelam tanto aos mais novos como aos mais crescidos. Os visuais são dos melhores que o género já nos ofereceu e o argumento é simplesmente delirante, sendo que é tão simples que se torna genial.

São filmes como “Divertida Mente” que provam que os filmes de animação não precisam de ser apenas comédias com piadas cansadas que divirtam as crianças impacientes. Quando se arrisca, o resultado pode este: um clássico que vai ficar para os tempos.

 

7. Golpada Americana, de David O. Russell (2014)

Nesta década, David O. Russell provou ser dos melhores realizadores/ argumentistas a trabalhar em Hollywood, com dois filmes simplesmente excelntes: “Guia para um final feliz” e “Golpada Americana”. O seu terceiro, “Joy”, foi também um filme bastante agradável, que apesar de ser assumidamente um projeto mais contido foi recebido de forma manifestamente injusta pela crítica.

No entanto, de todos estes filmes aquele que merece maior reconhecimento é “Golpada Americana”. Com O. Russell a adotar o seu estilo habitual de dar a máxima liberdade possível aos atores e um elenco estrondoso, este foi um dos filmes mais deliciosos que chegaram às salas nos últimos anos. Com uma sátira forte disparada em todos os sentidos, desde o sonho americano até ao campo político, juntamente com uma história envolvente, é cinema que com um elevadíssimo valor artístico que consegue sempre entreter. E o elenco?!

 

6. The Spectacular Now, de James Ponsoldt (2013)

Há filmes que parece que vêm de lado nenhum e que abanam a nossa vida, fazendo-nos olhar para tudo de forma diferente – “The Spectacular Now” é um desses filmes. A sua história acompanha a vida de dois adolescentes Aimee e Sutter, que são finalistas do secundário. Para eles, o futuro é uma grande incógnita que estão prestes a ter de enfrentar, sem saberem bem o que os espera. E nós seguimos essa jornada deles pela auto-descoberta, pelo fascínio pela vida.

Quando eu vi “The Spectacular Now” tinha sensivelmente a idade dos dois protagonistas. Também estava quase a terminar o secundário, e o futuro era manifestamente assustador. Para além disso, eu conhecia as duas personagens que nos são aqui apresentadas – elas eram iguais a colegas meus, a estranhos que eu via no corredor, e por vezes até a mim mesmo. As preocupações deles eram as minhas preocupações. Tal como eles, eu estava prestes a ser obrigado a crescer e isso assustava-me. Por isso, “The Spectacular Now tocou-me de uma forma especial. É um filme belo e que sabe respeitar as suas personagens de um modo louvável. Já todos fomos Aimee e Sutter, e ainda bem que o filme compreende isso.

 

5. A Rede Social, de David Fincher (2010)

“A Rede Social” é uma análise grandiosa a Mark Zuckerberg, o jovem criador do Facebook. Fincher conseguiu criar uma biografa enérgica, um filme que analisa uma personalidade que mudou o mundo como o conhecemos (e que criou novos mundos). No entanto, o que torna “A Rede Social” tão especial é o seu carácter, sendo que se afsta totalmente das convencionalidades do género, apotando na componente artísitica para nos dar a conhecer a vida de Zuckerberg.

Com qualquer outro realizador este podia ter sido um biopic “by the numbers”, mas Fincher assegura-se de que isso não acontece. O seu olho crítico apresenta-nos nuances novas sobre o novo “mundo em rede”, enquanto mostra ao mundo alguém que tem sido visto como um herói moderno como sendo um homem vulgar, com os defeitos e feitios que todos nós temos. É um marco no seu género, e um filme cuja influência já se comecçou a sentir nos últimos anos.

Só Fincher e a sua mente algo “twisted” conseguiriam fazer uma proeza destas.

 

4. Whiplash, de Damien Chazelle (2014)

“Whiplash” é um filme com uma afinação tão certeira que é difícil de acreditar que foi realizado por um estreante de 29 anos. Damien Chazelle conseguiu logo com o seu primeiro filme um resultado estrondoso, naquele que é um dos filmes mais eletrizantes que Hollywood produziu em muito tempo. É um filme que apresenta duas performances grandiosas: a de Miles Teller e a de JK Simmon. A de Simmon em particular é assustadoramente gloriosa: enquanto professor de música que tem comportamentos abusivos para com os alunos, o ator consegue ter uma interpretação enorme, que tem tanto de cerebral como de física. A sua figura musculada, constantemente vestida de preto, aliada às suas expressões faciais, fazem da sua personagem um os maiores vilões(?) modernos.

Chazelle consegue também apresentar um retrato realista do esforço necessário para atingir o sucesso, assim como uma análise tão profunda à educação moderna que ainda hoje gera controvérsias, o que só mostra o quão afiado o argumento é. E depois há aquele final: uma cena tão bem realizada e interpretada que ainda hoje me dá arrepios.

 

3. Quarto, de Lenny Abrahamson (2015)

“Quarto” não é um filme para todos. Mesmo aqueles que acham que é um filme genial terão dificuldades em vê-lo uma segunda vez após a primeira. É essa a sua natureza: é um filme que tem uma primeira parte duríssima, e uma segunda parte tão bela e comovente que o conjunto do filme possui uma carga emocional tão pesada que deixa qualquer um completamente destruído emocionalmente. É um filme que gera um impacto enorme e não nos abandona após acabar.

Não vou revelar nada sobre o argumento porque o filme deve ser visto sem se saber nada sobre ele. É um filme belíssimo, com um tema que é assustador por ser real, demasiado real. Os seus méritos devem-se principalmente a Lenny Abrahamson, que trata o material com um rigor impressionante, dando-nos um filme que nunca deixa de ser magnífico, e a Brie Larson e ao jovem Jacob Tremblay, ambos com interpretações que são verdadeiros tour de force.

É raro um filme fazer-nos sentir como “Quarto” faz. Não é um filme fácil, mas é por isso que merece ser visto. Quando termina, sentimos que mudámos – não sabemos bem como, mas sentimos que isso aconteceu.

 

2. A Origem, de Christopher Nolan (2010)

Christopher Nolan é um génio do cinema moderno. A sua cinematografia está repleta de obras-primas, desde “O Cavaleiro das Trevas” ao já referido “Interstellar”, passando ainda por filmes como “Memento” e “O Terceiro Passo”. No entanto, “A Origem” continua a ser o seu melhor filme, sendo também possivelmente o melhor blockbuster moderno. E tudo isso se deve a Nolan, que entregou aqui uma obra tão inteligente que exige que o espetador ponha o cérebro a funcionar.

“A Origem” é algo único dentro dos filmes de grande orçamento. Apesar de ter cenas de ação grandiosas (algumas das maiores e mais originais alguma vez postas no grande ecrã) e um elenco de luxo, o que importa mais no filme é mesmo a sua complexidade. É um filme que procura entreter mas com um conceito arrasador, que envolve a mente humana de uma forma totalmente original. É o melhor que Nolan faz, ou seja, um thriller com grandes ideias que não dá as respostas todas aos espetadores.

Existe também outro facto que mostra que “A Origem” foi, de facto, um filme único: geralmente quando um filme atinge este nível de sucesso de bilheteira, os outros estúdios tentam copiar imediatamente aproveitar-se do seu sucesso e apresentar conceitos semelhantes. Mas ninguém conseguiu copiar o que aqui foi feito, e tenho a certeza de que não foi por falta de tentativas. Nolan traçou o mapa do labirinto, percorreu-o, e de seguida deitou o mapa fora. E a sua obra continua, por isso, a ser única.

 

1. La La Land, de Damien Chazelle (2016)

“La La Land” foi o melhor filme que vi esta década. Não tenho dúvidas disso. De facto, senti-o assim que saí da sala. Até diria mais: foi dos melhores que vi este século. É o segundo filme de Damien Chazelle a aparecer no top 5 desta lista, sendo também o seu segundo filme. Isto é que é começar bem uma carreira.

Há poucos filmes que me tenham feito sentir como “La La Land” fez. Desde que começou que tive um sorriso na cara, que apenas foi substituído por outras emoções de igual dimensão ao longo do filme. Enquanto o via senti-me de forma semelhante a quando vi filmes como “Star Wars” pela primeira vez – totalmente avassalado, com um sentimento de espanto constante. Quando acabou estava a tremer – sentia que tinha acabado de ver algo histórico.

A obra de Chazelle é simplesmente magnífica. É uma ode aos musicais do passado, uma ode a Los Angeles e a Hollywood, uma ode ao jazz, e uma ode a todos aqueles que sonham por tocar as estrelas. É um filme sentido e honesto, dotado de uma beleza enorme. Emma Stone e Ryan Gosling provam mais uma vez que são um dos melhores duos do cinema atual, com uma química fortíssima, e cantando e dançando sem qualquer esforço. Para além disso, as músicas são excelentes e os números de dança cativantes a sério.

“La La Land” é a razão porque o cinema existe: um filme que nos faz acreditar que a magia é possível. E depois há aquele final, uma cena apoteótica que durando cerca de 10 minutos nos deixa totalmente assombrados. Saímos com ela na cabeça e ela persegue-nos durante imenso tempo. Se Chazelle já conseguiu fazer uma coisa destas ao fim de dois tempos, nem imagino o que conseguirá fazer daqui a 10 anos.

“La La Land” é uma obra-prima. É cinema em estado puro, a razão porque eu vejo filmes. É um trabalho de paixão que será discutido durante anos. É, acima de tudo, um filme para todos os tolos que sonham.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Site no WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: