Crítica: Mulher Maravilha (Wonder Woman) – 2017

O curto período de vida do DCEU não tem sido fácil na sua receção pela crítica, com os seus três primeiros filmes a serem recebidos em espetros diferentes do grupo negativo. Confesso que acho que “Batman v Superman” é um filme muito subvalorizado, sendo até um filme bastante bom para o seu género, apesar de assumidamente diferente e com as suas falhas, e que não tenho nenhum sentimento forte quanto a “Homem de Aço”, que é apenas um filme mediano. Já quanto a “Esquadrão Suicida”, apesar de provavelmente o admirar mais do que a maioria dos críticos, este é uma confusão tremenda, sem qualquer argumento ou lógica que salve todo o disparate que acontece no ecrã.

É neste panorama que “Mulher Maravilha” chega ao cinema. Um filme que poderia ser uma “volta da vitória” do DCEU antes do grande evento da saga, “Justice League”, estreia com a tarefa de aguentar com o peso da má receção dos seus antecessores, enquanto tem também a tarefa de ser o primeiro bom filme de super-heróis com um protagonisa feminina e de provar que uma mulher pode realizar um blockbuster tão bem como qualquer homem. Sem pressões, certo?

E a verdade é que “Mulher Maravilha” consegue cumprir estes desafios. Este é o primerio filme indiscutivelmente bom do DCEU, e um filme digno da sua protagonista, que finalmente recebe uma adaptação cinematográfica, e uma adaptação bem feita. É também um marco importante para um género que até agora tinha sido dominado por protagonistas masculinos, visto que Diana Prince é capaz de rivalizar com Bruce Wayne ou Tony Stark, com um carisma desde já que merece ser reconhecido.

A história aqui contada é a origin story de Diana, explicando como é que ela se tornou na Rainha das Amazonas que vemos em “Batman v Superman”. Assim, é-nos dado a conhecer o treino de Diana, assim como a sua participação na Primeira Guerra Mundial, ao lado de Steve Trevor (Chris Pine), um soldado que a desperta para o conflito e para o estado em que a humanidade se encontra.

Por isso, esta é principalmente uma orgin story, mas que consegue fugir a muitos dos clichés que estas histórias de origem costumam oferecer. A primeira parte é totalmente dedicada ao treino de Diana, mas na segunda já nos é apresentada a sua Mulher Maravilha pronta para lutar e muito próxima daquilo que vimos em “Batman v Superman”. Por isso, em vez de nos ser apresentada uma simples introdução à personagem, com a promessa de que na sequela vamos ver finalmente aquilo que pretendíamos desta vez, a equipa por trás do filme teve a coragem de nos dar logo aquilo que queríamos ver, em vez de um mero aperitivo para o futuro. É algo refrescante.

Também a representação de Diana é remarcável. O facto de ser Patty Jenkins a realizar provavelmente constribui para isso, mas Diana é aqui representada como uma personagem que nunca é sexualizada, uma mulher de força que consegue impor respeito pelo seu carácter e não pela sua beleza. Para além disso, a construção da personagem forma um arco impressionante, sendo marcante a forma como esta vai perdendo a sua inocência à medida que lida com um conflito tão marcante como a Primeira Guerra Mundial.

Esta é uma mulher que tem fortes valores, sendo que acredita vivamente na bondade de todos, mesmo perante um conflito tão destrutivo. Diana está disposta a matar, mas evita fazê-lo – e é impressionante o cuidado que Jenkins tem em filmar as cenas para retratar essa realidade. Após este filme, já é uma das personagens mais impressionantes que o género já nos apresentou.

E nada disto seria possível sem Gal Gadot. A atriz israelita depois disto vai ficar para sempre identificadas como “Mulher Maravilha”, e com justa causa, visto que parece que foi feita para o papel. Para além de claramente ter a beleza requerida pela personagem, tem também o carisma requerido para dar vida à super-heroína. É uma interpretação grandiosa, e à qual o filme fica a dever muita da sua qualidade. Do lado masculino, Chris Pine dá mais uma performance de qualidade, após no ano passado ter tido a melhor interpretação da sua carreira em “Hell or High Water”.

Visualmente, o filme segue a linha magistral de “Batman v Superman”. Diga-se que o que se disser sobre o filme de Snyder, a sua componente visual estilizada é das melhores que o género já nos ofereceu, e a obra de Jenkins segue nessa linha. As cenas nos campos de batalha da Grande Guerra são gloriosas, com uma palete de cores negras que lhe dá um tom de filme de guerra bastante apropriado, e as cenas de ação em geral são bastante bem coreografadas, satisfazendo completamente quem veio por esse elemento vai sair satisfeto

É irónico que “Mulher Maravilha”, aquele que podia ser o filme mais arriscado do DCEU até agora, seja aquele que simboliza que ainda é possível este universo cinematográfico dar a volta em qualidade. Com uma narrativa mais focada e uma personagem principal estrondosa, é um sucesso indiscutível, e um excelente filme do género.

Nota final: 8/10

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