Crítica: Alien: Covenant – 2017

Em 2012, a chegada de “Prometheus” mostrava uma saga que se queria expandir para lá do que era, mas sem saber muito bem como o fazer. Ridley Scott tentou introduzir questões filosóficas sobre a humanidade numa saga que sempre foi conhecida pela prevalência da carnificina e dos sustos, e o resultado final foi um filme que tentava ser muito mais do que realmente conseguia.

É verdade que em “Alien: Covenant” essa ambição não desaparece – esta é, acima de tudo, uma sequela pura para “Prometheus”. Por isso, continua a tentativa de expandir a mitologia e de levantar questões inquietantes, mas com um regresso às raízes da série, num género de horror claustrofóbico que já fazia saudades nesta série, e que eleva o filme a um nível de superioridade em relação ao seu antecessor.

Assim, desta vez é-nos apresentado um grupo novo, que viaja abordo da Covenant, uma nave que tem como destino a colonização de um novo planeta para a humanidade. A viagem é interrmpida chega quando chega uma comunicação vinda de um planeta estranho, o que os faz desvia rota e leva-os diretamente até um lugar onde não os espera nada de bom.

Assim, depressa se percebe que o marketing não nos está a enganar – este é um filme de terror em primeiro lugar. E se o primeiro ato ainda levanta questões sobre isso, a partir do primeiro momento em que surgem as famosas criaturas deixa de haver qualquer dúvida de que Ridley Scott não está para facilitar, oferencendo violência extrema em quantidades que vão impressionar mesmo os mais duros –  mas já lá vamos. Os sustos são, na sua maioria, relativamente previsíveis, apesar de haver alguns que conseguem surpreender.

Algo que também funciona melhor é o desenvolvimento de personagens. Apesar de a maioria destas ser apenas “carne para canhão”, que não serve para mais nada do que para ser devorada pelos seus hostis rececionistas, a personagem principal, Daniels (Katherine Waterston, com uma excelente interpretação) tem a dose certa de inspiração em Ripley para ser suficientemente interessante, enquanto as duas personagens de Fassbender continuam a ser o ponto alto do filme.

No entanto, “Covenant” perde-se principalmente por ter dois filmes totalmente diferentes dentro de si. Ambos funcionam bem em separado, mas juntos parecem algo forçados. Um deles é a continuação daquilo que “Prometehus” ofereceu – a busca pela origem da humanidade e pelo sentido da vida, num tom mais bem pensado e subtil desta vez, com relações humanas bem construídas. O outro é um filme de terror, um jogo do “gato e do rato” violentíssimo, sem grandes compromissos e que apenas existe para divertir. A junção dos dois nunca é harmoniosa, sendo mesmo artificial em muitos momentos.

Voltando à violência – se foi por isso que vieram ao filme, vão sair deveras satisfeitos. Ridley Scott pega nas armas todas desta vez, fazendo o filme que provavelmente queria fazer em 1979, com violência tão gráfica que não vai deixar ninguém indiferente. Há cenas que são tão magistralmente dirigidas por Scott e que são tão carregadas na carnificina que vão ser demasiado difíceis para os mais sensíveis. Por isso, já ficaram impressionados com “Prometheus”, este filme não é mesmo para vocês, uma vez que tudo aqui é de longe bastante mais violento.

De facto, sente-se que o filme até é demasiado pesado. Apesar de a saga nunca ter sido propriamente reconhecida por qualquer nota de humor, confesso que estava à espera que Scott tirasse uma nota da sua obra-prima deste século, “Perdido em Marte”, para dar um toque mais leve a certas cenas do filme, até porque a tripulação aqui presente parecia propícia a isso mesmo. É óbvio que esse não foi o objetivo do realizador (apesar de em certas cenas o tentar fazer), mas fica uma oportunidade perdida de consegui criar um filme que criasse uma maior intimidade com o espetador. Também se pode defender o oposto – se o objetivo era ter um filme com um ambiente de casa assombrada a 100% do tempo, então o realizador conseguiu fazê-lo com distinção.

Por isso, “Alien: Covenant” é um filme melhor do que “Prometheus”. É um regresso às origens da série, uma obra mais equilibrada e contida, que oferece a violência esperada e desenvolve a história que esta suposta trilogia pretende contar, apesar de sofrer algo do efeito de ser o filme do meio da trilogia, o que muitas vezes faz parecer com que tudo aquilo que aqui se passa é algo irrelevante. Tirando isso, é entretenimento no estado mais puro para aqueles que conseguirem aguentar com as suas artimanhas.

Nota final: 7/10

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