Crítica: Guardiões da Galáxia Vol. 2 (Guardians of the Galaxy Vol. 2)

Em agosto de 2014, entrei com dúvidas na minha sessão de “Guardiões da Galáxia”. Apesar de os trailers prometerem e de James Gunn ser um realizador com provas dadas, havia aquele receio de a Marvel estar a lidar com material diferente de tudo aquilo que tinha feito até aí, utilizando personagens desconhecidas do grande público e uma temática espacial que mais se aproximava de “Star Wars” do que de “Os Vingadores”. No entanto, conseguiram acertar em cheio, e por isso as expetativas eram elevadas para este segundo volume. E é com alegria que se constata que estamos perante uma sequela que quase fica perto da genialidade do seu antecessor.

O filme começa logo em grande, com uns créditos inicias que são os melhores que a Marvel já nos ofereceu. É uma cena anárquica, delirante, daquelas a que Gunn nos habituou no primeiro filme. É um momento tão elevado que mostra que a equipa ainda não perdeu o espírito de originalidade mirabolante que caracterizou o primeiro filme. É também agradável voltar a ver estas personagens reunidas – só ainda os vimos num filme, mas já parecem antigos amigos.

A seguir, o argumento começa a avançar, com a introdução da intriga principal do filme: Peter Quill, o lendário Star Lord (Chris Pratt, em 2014 um desconhecido, agora uma das maiores estrelas de Hollywood), conhece finalmente o seu pai, Ego (Kurt Russell, excelente como sempre). É uma história mais sentimental do que a do primeiro, e isso sente-se desde o início. No entanto, isso não significa que tenha perdido a veia hilariante do seu antecessor.

Mais uma vez, este “volume dois” aposta forte na comédia e nunca falha o alvo. James Gunn continua a provar que é um argumentista excecional, com uma sensibilidade de génio para o equilíbrio. É seu o mérito desta saga parecer tão diferente de tudo o resto que a Marvel faz. É o seu estilo peculiar, com detalhes de génio, que permitem que este seja um monumento do género tal como o primeiro foi.

Em termos de história, esta peca por não ser tão focada como a do filme anterior. Apostando numa narrativa menos conexa, colocando as personagens em situações diferentes, o que prejudica a fluidez dos acontecimentos. Faltam-lhe também um momento que seja tão enigmático como a fuga da prisão do primeiro, apesar de existirem aqui cenas que são marcantes com o seu próprio mérito (quase todas as cenas com Groot – particularmente uma a meio do filme – são simplesmente hilariantes).

Visualmente, o filme vale a totalidade do preço do bilhete. As cenas de ação são grandiosas e os cenários de tirar a respiração, oferecendo suficiente eye-candy para acompanhar a narrativa. Gunn filma estas cenas de uma forma magstral, de formas únicas e totalmente inesperadas para o género. Há um momento no “confronto final” que é tão delirante e anárquico que nem parece poder pertencer a um filme da Marvel, em que a câmara está parada num único acontecimento, enquanto ouvimos a ação mas não a vimos. Para além disso, e num grande positivo, o filme continua com uma vybe mais próxima de um filme de ficção científica do que de um filme de super-heróis, o que é refrescante.

A banda sonora também volta a ser de alta qualidade. A “Awesome Mix Vol. 2” está recheada de clássicos dos anos 70 do século passado, que lhe dão um tom retro que lhe assenta bastante bem. Volta a ser um ode aos clássicos de outro tempo, um quase-musical em que a música nunca é desnecessária, mas sempre justificada pelo que está a acontecer no ecrã.

E para grande surpresa, o final do filme traz consigo uma veia dramática totalmente inesperada. É um final que puxa ao sentimento, e que é de tal forma profundo que quase que é inesperado num filme destes, apesar de parecer justificado por tudo aquilo que o filme fez até aí. É um momento belo, que ajuda estas personagens a crescerem, dando-lhes um arco de aprofundamento forte. Ah, e é verdade – existem de facto cinco cenas pós-créditos, e vale a pena vê-las.

Assim, “Guardiões da Galáxia Vol. 2” é uma sequela digna do seu original. Nunca chega ao seu nível (o original continua a ser o melhor filme do MCU) devido a alguns problemas de foco da narrativa, mas o argumento hilariante de Gunn e a química destas personagens fazem deste um dos filmes divertidos do ano. We are Groot!

Nota final: 8,5/10

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