O cinema está bem e de boa saúde

“Os filmes são as memórias do nosso tempo. Temos de mantê-los vivos”. Esta frase foi dita em tempos por Martin Scorsese. É um elogio máximo ao cinema enquanto arte e escapismo, ambos em simultâneo, por vezes em separado. É um mote que retrata a importância que a sétima arte ocupa no entretenimento das massas. Mas será que continua a fazer sentido?

Até ao início deste século, eu diria que sim, sem qualquer dúvida. Uma ida ao cinema era uma forma de diversão por excelência, que juntava famílias inteiras em salas escuras para viverem experiências únicas, nem que fosse apenas por duas horas. No cinema tudo era possível, era um local mágico em que o único limite era a imaginação: tanto do espetador como do responsável pelo filme.

Mas muito mudou nos últimos anos. Com o desenvolvimento das tecnologias, nomeadamente da Internet, os consumidores passaram a ter à sua disposição uma oferta muito mais alargada, por vezes a preços mais reduzidos e no conforto das suas casas. Para a geração atual, porque é que devem ir ao cinema ver o Blockbuster da semana, se podem ficar em casa no YouTube? Porque é que um adulto há-de pagar por um bilhete se pode ficar no seu sofá a ver “A Guerra dos Tronos” ou “House of Cards”?

A resposta é simples: porque ainda não há nada que se compare a ver um filme numa sala grande, com um ecrã gigante e um sistema de som que faz tremer o ambiente. Podem ter uma excelente televisão e um sound system de última geração, mas isso não se equipara a viver a magia no ecrã prateado. A arte da exibição continua a ser um evento.

James Cameron provou isto na altura certa: quando “Avatar” estreou estávamos a entrar numa época em que se temia pelo futuro da projeção em sala perante a oferta do “home entertainment”. No entanto, o Blockbuster de Cameron veio mostrar o porquê de o cinema continuar a ser único. Quem é que conseguia viver uma experiência daquelas em casa? O filme tornou-se num fenómeno à escala global mesmo por causa disso: era um evento daqueles que só a sétima arte podia oferecer. Por isso, para toda uma geração não foi muito diferente de quando “Star Wars” influenciou a vida de milhões de crianças em 1977.

E não são só os Blockbusters que merecem continuar a ser vistos no grande ecrã. No início do século passado não havia mais magia para os espetadores do que ver filmes como “Casablanca” ou “E tudo o vento que levou”, que eram principalmente sobre emoções e histórias humanas, num ecrã gigante. Atualmente isso continua a ser assim. No ano passado, alguns dos momentos que mais mereceram ser vistos numa sala de cinema não foram de grandes Blockbusters. Foram cenas como aquela conversa num restaurante em “Moonlight”. Ou o desespero de Lee após a sua vida mudar em “Manchester by the sea”. Ou então as cenas intensas de inferno na terra filmadas por Gibson em “O herói de Hacksaw Ridge. Ou ainda o final de “La La Land”, com aquele aceno sincero de Sebastian que deixou toda a gente a tremer na sala onde eu vi o filme.

Por muito que se argumente o contrário, estas experiências não são possíveis em casa. E os espetadores parecem concordar, visto que as receitas têm aumentado nos últimos anos. O cinema está vivo e de boa saúde, e esperemos que assim permaneça durante muito tempo.

Vivam os filmes! Viva o cinema!

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