Crítica: Logan (Logan) – 2017

“Charles Xavier: Logan, you still have time.”

Assim que “Logan” começa, é fácil perceber que esta última aventura de Wolverine vai ser realmente diferente de tudo aquilo que vimos até agora. A primeira palavra do filme, uma “f-bomb” lançada pelo mutante, seguida deuma cena de violência extremamente gráfica, dão logo a entender que esta despedida vai ser única.

Em “Logan” encontramos um Wolverine envelhecido, que começa a perder os seus poderes de regeneração e que tenta usar o álcool para afogar as suas dores. É um condutor de limosinas em El Paso, e vive com Charles Xavier, o Professor X, que tem agora acima dos noventa anos e luta com o Alzeihemer. Para além disso, não nascem novos mutantes há mais de 20 anos, mas a chegada de Laura à vida de Logan vai provar que isso pode mudar.

Por isso, “Logan” é um filme que não tem nada a ver com os filmes de super-heróis a que estamos habituados. Eu diria até que dificilmente se poderia considerar um filme de super-heróis, não fosse pela presença dos mutantes. Aquilo que aqui temos é acima de tudo um Western sombrio, sobre um homem destroçado pelo passado e que sofre por ter os seus poderes. E tudo isto é violentíssimo. Se já achavam que “Deadpool” era violento, então preparem-se para “Logan”. “Deadpool” ainda tinha uma veia humorística que aligeirava a sua violência, mas em “Logan” toda a violência surge no meio de um ambiente pesado e deprimente, sendo tão gráfica que chega a chocar. Como diz a certo ponto Logan, no mundo real as pessoas morrem, e o filme não tem problema nenhum em mostrar isso: as cenas de ação são rápidas e sangrentas, tal como os fãs sempre desejaram ver num filme do mutante, e existe uma grande dose de palavrões (até se torna algo estranho a quantidade de vezes que Charles Xavier os usa). E na despedida finalmente têm-no, da maneira gloriosa com que sempre sonharam.

Mas surpreendentemente, aqui o que menos interessa é a ação. Este é um filme sério, um drama profundo que priveligia a história em vez do espetáculo. Muitas vezes até nos esquecemos que estamos a ver um filme do género, de tão profundo que é o argumento. Há semelhança da trilogia do Cavaleiro das Trevas de Nolan, James Mangold cria aqui um mundo realista, em que existem pessoas que parecem reais. Mangold dança num ritmo sensível, mas fá-lo com uma mestria surpreendente, nunca perdendo o passo ou o ritmo. Confesso que após o medíocre “The Wolverine” tinha dúvidas de se o realizador ia estar à altura de um filme tão importante, mas a verdade é que passa com distinção, num filme que muitas vezes parece seu, assemelhando-se quase a uma espécie de cinema de autor de grande dimensão.

E depois existe a gigante interpretação de Hugh Jackman. Se ao longo dos últimos 17 anos ele se tornou sinónimo de Wolverine no cinema, aqui o ator consegue ter a melhor interpretação da sua carreira, dando uma profundidade arrepiante à personagem. O Logan que aqui surge é um homem perturbado, que já não consegue suportar o fardo que carrega, e Jackman consegue dar uma credibilidade à personagem que é única para o género. É uma interpretação que merece ser destacada, e que me arrisco desde já a dizer que é bem capaz de vir a merecer uma nomeação aos Óscares do próximo ano.

Também existe algo de fundamental em “Logan”: este é possivelmente o filme de super-heróis mais negro e depressivo de sempre, e isso é algo que o destaca. Comparados com isto, os filmes da DC são quase alegres. Para além da violência extrema, este é um filme que cria uma atmosfera bastante pesada (mais uma vez perto do Western) e onde a esperança quase nunca existe. É um retrato real e com um grande impacto, algo que nunca pensei vir a ver num género destes e que sem dúvida contribui para a ideia de que, para mim, o filme se afasta totalmente do género.

E no final, consegue ganhar tons de épico. “Logan” não acaba com cidades destruídas ou grandes batalhas. Não, acaba com verdadeiras emoções, com drama humano. E acaba também com uma surpreendente ideia de esperança (aqui está ela outra vez) que estivera ausente durante todo o filme. É o final perfeito para a despedida de Jackman da personagem, sendo que quando o ecrã fica preto e começa a tocar “The Man Comes Around” de Johnny Cash, percebemos que a jornada do herói está finalmente terminada, e que não podia ter acabado de melhor maneira.

Assim, “Logan” é o melhor filme que a saga já nos ofereceu, e dos melhores de sempre do género. É um retrato pesado do sofrimento do passado e uma análise à dor de se ter de lidar com algo que não se deseja. Se este realmente for o último filme de Wolverine, a personagem não podia ter saído de cena de uma forma melhor.

Nota final: 9/10

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