E os melhores filmes de 2016 para o Sala Cinematográfica são…

Nota inicial: decidimos publicar este top o mais perto possível da cerimónia dos Oscars de modo a termos acesso ao maior número de filmes de 2016, visto que muitos dos mais aclamados apenas estrearam em Portugal em 2017.

2016 foi um ano extraordinário para o cinema. De facto, chegaram às salas várias ofertas carregadas de qualidade e para todos os gostos. Por isso, não foi nada fácil preparar esta lista e foi inclusivamente necessário acrescentar algumas menções honrosas. Foi um ano repleto de bons filmes e excelentes histórias, com alguns clássicos em formação. E foi também um ano com um acontecimento paradoxal: com tantos filmes que mereciam estar neste top, não tive qualquer dúvida em escolher o melhor filme do ano. No meio de tanta excelência, há um que se destacou num ano que poderia ter sido extremamente renhido.

Mas sem mais demoras, aqui estão os 10 melhores filmes do ano para mim, desde o 10º até ao 1º.

10. Hell Or High Water – Custe O Que Custar!

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“Hell or High Water” foi uma excelente surpresa de 2016. É um western com um argumento pertinente, a história de dois irmãos que roubam bancos para se vingarem desses mesmos bancos que os tramaram. É uma ode a uma América esquecida e um relato intenso da luta pela justiça e pela melhoria das condições sociais. É também um filme que consegue mais divertido do que quase todos os blockbusters que chegaram às salas este ano, apresentando uma história de “polícias contra ladrões” que está cheia de questões morais difíceis, e que tem grandes interpretações de Chris Pine, Ben Foster e Jeff Bridges.

9. A Lagosta

“A Lagosta” é o filme mais estranho desta lista. É um filme com um conceito que tem tanto de fascinante como de bizarro, existindo num mundo em que as pessoas que são solteiras são enviadas para um hotel e têm 45 dias para encontrarem alguém que amem, ou então transformam-se num animal à sua escolha. O que daqui resulta é uma comédia negra fascinante, com uma crítica social extremamente afiada e pertinente. Não será para todos, mas é um filme maravilhosamente diferente, com grandes interpretações de Colin Farrell e Rachel Weisz, e um argumento e realização magistrais de Yorgos Lanthimos.

8. O Primeiro Encontro

Ora aqui está algo que não se vê todos os dias: um épico de ficção-científica com grandes ideias que dão que pensar e que se foca em grandes emoções em vez de grandes explosões. Dennis Villeneuve baseou-se na história de “Story of your life” (a história da tua vida) e criou um diamante em que os aliens fazem parte do título, mas os protagonistas são os humanos. Amy Adams tem uma interpretação que é um total tour de force, e que se torna num dos maiores roubos de sempre da Academia, e Villeneuve realiza de uma forma totalmente nova para o género. Também ajuda que tenha uma bela história de mãe e filha, e que o final seja totalmente arrebatador, ficando na mente de quem o vê durante muito tempo.

7. Elementos Secretos

“Elementos Secretos” é um daqueles filmes que tem uma história que merece ser contada, e apresenta-a de uma forma gloriosa, homenageando as suas heroínas desconhecidas enquanto critica uma realidade social que continua a persistir muitas vezes. De facto, talvez noutro ano este filme não tivesse tido tanto impacto, mas numa altura em que existem fortes perturbações políticas que ameaçam um regresso a determinados ambientes discriminatórios do passado, “Elementos Secretos” torna-se numa mensagem poderosa sobre conseguir ultrapassar os limites impostos. Para além disso, é extremamente divertido e tem excelentes interpretações, que o tornam num dos filmes mais acessíveis a toda a gente deste ano.

6. Rogue One: Uma História de Star Wars

Pelo segundo ano consecutivo, “Star Wars” tem a honra de ter o melhor blockbuster do ano. Em 2015, “O Despertar da Força” foi, para mim, o melhor filme do ano (empatado com “Quarto” – já agora, deviam ver “Quarto”) e em 2016 “Rogue One” veio provar que a saga espacial voltou com uma qualidade impressionante. Este primeiro spin-off da série conseguiu o feito de apresentar personagens desconhecidas dos espetadores e torná-las em heróis dos grande público, enquanto utilizava uma fórmula suficientemente diferente dos filmes da saga principal que o fazia parecer algo próprio. O filme de Gareth Edwards aproxima-se muitas vezes de um épico de guerra, enquanto contém uma mensagem de esperança fundamental. Nunca foi tão bom ser fã de Star War!

5. Zootrópolis

“Zootrópolis” (ou “Zootopia” no original) veio provar que a Disney é novamente uma força a considerar no universo da animação. Se nos últimos anos era a sua sucursal Pixar que ia dominando o mercado e a qualidade, com “Zootrópolis” veio marcar que a casa do rato Mickey ainda tem muito para dar. Este é o melhor filme de animação em muito tempo, uma fábula hilariante com uma forte ideia de união. É algo surpreendente que um filme de animação tenha uma mensagem mais forte de inclusão do que quase todos os filmes de imagem real do ano ano passado, mas é mesmo isso que se verifica aqui.

4. Moonlight

“Moonlight” é, acima de tudo, um épico disfarçado sobre a forma de um pequeno filme. É uma história global, contada a partir da vida de apenas uma personagem, a partir de várias fases da sua vida, analisando as dificuldades de crescer num ambiente complicado e da auto-descoberta. É, tal como o seu poster diz, “a história de uma vida”. Barry Jenkins narra tudo de uma forma lírica, fazendo poesia no ecrã, com a graciosidade de um mestre, e utilizando técnicas que fazem com que o filme seja dos mais belos do ano. Os três atores que interpretam a personagem principal, Chiron, ao longo das fases da sua vida também são magistrais, sendo que Jenkins conseguiu escolher três pessoas que nos levam a acreditar que de facto são apenas uma. O resultado final é uma história forte, que lida com temas universais e com pessoas de que Hollywood se esquece com frequência.

3. Manchester by the sea

“Manchester by the sea” é um filme que não deixa ninguém indiferente. O filme de Kenneteh Lonergan é um retrato real da vida como ela é. Apresentando uma história simples, sobre um homem que se vê obrigado a voltar a um lugar do se passado para tomar conta do seu sobrinho após a morte do seu irmão, “Manchester” é uma análise dura da morte e da perda. É um filme de grandes emoções: ora é triste, ora é hilariante, tal como a própria vida, que teima em continuar após a tragédia. É difícil sair indiferente de um filme como este, sendo que Lonergan consegue dar um impacto tão forte ao filme que este nos faz perceber como a vida funciona, através de personagens reais, que todos nós conhecemos (e às vezes somos). E tudo isto é elevado pela genial interpretação de Affleck, que se mostra aqui como um homem derrotado, vencido pela vida e perseguido pelo passado. É Affleck que consegue tornar o filme numa obra-prima, ao elevar a sua personagem a níveis de uma complexidade imensa, tendo momentos que são totalmente avassaladores.

2. O Herói de Hacksaw Ridge

Quando acabei de ver “O Herói de Hacksaw Ridge”, sentia-me como se tivesse ido ao inferno e voltado. O épico de guerra de Mel Gibson é um dos retratos mais duros da guerra de que há memória, tendo algumas das cenas de batalha mais violentas da história do cinemas. Mas não é só por isso que este é um dos melhores filmes do ano. Esta é a história de Desmond Doss, um pacifista que se voluntariou como médico na Segunda Guerra Mundial, mas que devido às suas crenças se recusou a utilizar uma arma. É uma história incrível, contada de forma incrível por Gibson, que regressa finalmente ao ponto alt0 da sua carreira. É também uma história inspiradora sobre como os ideias de um homem podem sobreviver mesmo num ambiente como a guerra, e até influenciar os outros. Com as proporções de épico que o filme consegue atingir, este é um que muito provavelmente será relembrado durante longos anos, e justamente.

1. La La Land

Que filme poderia ocupar o primeiro lugar se não “La La Land”? Todos os filmes desta liga são excelentes, na minha opinião o melhor que se fez no cinema ao longo do último ano, mas “La La Land” está num nível só seu. É por filmes como “La La Land” que eu acredito no cinema como algo fascinante e mágico. “La La Land” é uma obra sem igual, um filme que precisa de ser visto para que se possa acreditar no quão bom é. Posso dizer sem sombra de dúvidas que esta foi das minhas melhores experiências cinematográficas de sempre. Damien Chazelle e o seu musical conseguiram tirar-me a respiração poucos minutos após o início do filme e só ma devolveram muito depois de tudo isto ter acabado. E quando saí da sala, com aquele final que continuo a defender que é apoteótico, ainda ia a tremer, a sentir que tinha visto o nascimento de um novo clássico. Durante as duas horas que passei naquela sala voltei a sentir-me como uma criança que descobre o cinema pela primeira vez e que percebe porque é que os filmes são mágicos. O mundo tecnicolor cheio de maravilhas que Chazelle aqui apresenta é uma óbvia homenagem aos musicais da época dourada de Hollywood, mas consegue tornar-se em algo muito próprio e único. É uma ode à cidade das estrelas de Los Angeles e a todos os que sonham. E mais uma vez, é a razão porque eu continuo a acreditar no cinema. Porque este, este é para os tolos que sonham.

Menções honrosas:

Em 2016, houve muitos mais filmes excelentes que mereciam um lugar nesta lista, alguns dos quais estiveram mesmo quase a entrar. Assim, estes são alguns desses, que acho que merecem destaque:

  • Silêncio, de Martin Scorsese
  • Vedações, de Denzel Washington
  • Don’t Think Twice, de Mike Birbiglia
  • The Edge of Seventeen, de Kelly Fremon
  • 7 Minutos Depois Da Meia-Noite, de J. A. Bayona
  • Operação Eye In The Sky, de Gavin Hood
  • Milagre no Rio Hudson, de Clint Eastwood

Bem, e é assim que chegamos ao fim! Basta concluir dizendo que 2016 foi um excelente ano para o cinema!

 

 

 

 

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