Crítica: Moonlight (Moonlight) – 2016

“Juan: This one time, I run by this old… this old lady. I was running, howling. Kinda of a fool, boy. This old lady, she stopped me. She said…  ‘In moonlight, black boys look blue. You’re blue. That’s what I’m gonna call you: Blue’.

Chiron: Is your name ‘Blue’?

Juan: Nah. At some point, you gotta decide for yourself who you’re going to be. Can’t let nobody make that decision for you.”

“Moonlight” é um épico humano que se esconde sobre a forma de um pequeno filme. É um estudo intenso de personagem, um relato intímo de uma vida através de três das suas fases principais, sendo dotado de uma beleza e sensibilidade surpreedentes.

Assim, “Moonlight” é a história de Chiron, conhecido por “Little”, um jovem afro-americano, que vive com a mãe (interpretada por Naomi Harris), uma toxicodependente. O seu pai não faz parte da sua vida, por motivos que nunca nos são dados a conhecer. Chrion é vítima de bullying, o que ainda agrava a sua difícil existência. Certo dia, enquanto foge de alguns colegas que lhe tentam bater, acaba por conhecer Juan (uma interpretação de mestre de Mahershala Ali), um traficante de droga. Entre os dois virá a estabelecer-se uma bonita relação de pai-filho, que vai afetar o crescimento de Chiron.

Em termos de estrutura, “Moonlight” está dividido em três partes (“Little”, “Chiron” e “Black”). Em cada uma delas ficamos a conhecer uma parte da vida de Chrion. Barry Jenkins utiliza um conceito semelhante ao de “Boyhood – momentos de uma vida”, ao apresentar os vários momentos do crescimento da vida do seu protagonista. No entanto, se “Boyhood” recorria ao mesmo ator ao longo de todo o filme, tendo sido filmado ao longo de doze anos (uma jogada que lhe deu identidade), “Moonlight” decide utilizar, de forma magistral, um ator diferente para cada fase. Assim, na primeira parte, Chiron é interpretado pelo jovem Alex Hibbert, na segunda por Ashton Sanders e na terceira por Trevante Rhodes.

Esta ideia de utilizar três atores diferentes para interpretarem a mesma personagem podia ter corrido muito mal, mas “Moonlight” fá-lo de uma forma tão excecional, que até é possível questionar se não é o mesmo ator ao longo de todo o filme. Jenkins dizia numa entrevista que a escolha dos três atores prendeu-se no facto de todos terem olhos que mostravam uma alma parecida, e isso vê-se no ecrã. Os três atores escolhido têm um espírito igual, e isso é algo mágico de se ver. Jenkins utiliza vários close-ups na cara dos seus atores, e esta realidade verifica-se de uma forma fascinante, mágica.

A realização de Jenkins também é fenomenal. “Moonlight” é um filme que é bonito de se ver. As cores vivas, com destaque para os azuis, dão-lhe um tom próprio, formando um filme com uma componente visual muito específica. Há várias cenas no filme, que utilizam planos largos e shots longos, que são de tirar a respiração.

Mas é no argumento que “Moonlight” brilha mais alto. Barry Jenkins pega em temas universais e confina-os a pequenos momentos, que acabam por ter uma escala impressionante. “Moonlight” é sobre a dificuldade de crescer, de se sentir perdido, de descobrir a própria sexualidade. É sobre a solidão e a auto-descoberta. É sobre o amor e como este pode ser cruel. E é também um retrato intímo de uma realidade dura e desfavorecida, esquecida constantemente, e que Hollywood raramente retrata. Tudo isto é apresentado de forma lírica e extremamente comovente. Jenkins consegue alcançar algo maravilhoso, ao fazer poesia sobre a forma de cinema.

“Moonlight” é um filme que tem de ser descoberto e apreciado por cada um. É um espelho realista das dificuldades da vida e do crescimento, que pela sua intimidade consegue ser quase transcendente. Quem o vê muda por dentro, mesmo que não o perceba imediatamente.

Nota final: 9/10

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