Crítica: Fragmentado (Split) – 2017

A última década foi dura para o “próximo Spielberg”. Após um início de carreira promissor, com filme aclamados como “O sexto sentido” e  “O protegido”, M. Night Shyamalan afundou-se totalmente quando começou a brincar na sandbox dos Blockbusters. Foram uns anos péssimos, com o outrora promissor realizador a tornar-se numa piada de mau gosto (às vezes com razão: “O último Airbender” é dos piores filmes de sempre). No entanto, em 2015, com “A visita”, Shyamalan envergava de novo nos thrillers de horror originais que o tinham celebrizado, recorrendo a orçamentos reduzidos e utilizando todos os truques que outrora o tinham feito uma das figuras mais carismáticas da indústria, e o realizador voltou a ganhar a confiança do público

E assim chegamos a “Fragmentado”, o seu novo thriller. Recorrendo novamente a um orçamento reduzido e a um grande conceito, Shyamalan prova que recuperou o fôlego e que está de volta em grande forma. Seja bem-vindo!

“Fragmentado” acompanha Kevin (James McAvoy), um homem profundamente perturbado que possui 23 personalidades distintas. Uma delas, Dennis, rapta três raparigas, Casey (Anya Taylor-Joy), Claire (Haley Lu Richardson) e Marcia (Jessica Sula) e mantém-as cativas, de modo a libertar uma suposta 24ª personalidade, conhecida como “a besta”.

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Depressa se percebe que o ponto forte de “Fragmentado” (e que grande ponto forte) é a sua personagem principal. Kevin e as suas personalidades são extremamente interessantes, sendo cada uma tão diferente que é algo fascinante de se ver. No entanto, nada disto seria possível se não fosse a interpretação de McAvoy, que tem aqui um papel complexo, visto que não está a interpretar apenas uma personagem, mas sim várias, visto que cada personalidade tem formas de se comportar diferente. Ora, McAvoy domina cada uma delas de forma genial, e altera-as com uma subtileza e perspicácia que apenas um grande ator possui. Esta é desde já uma das melhores interpretações do ano, sendo que se houver justiça merece estar entre as nomeadas da temporada de prémios do próximo ano.

Curiosamente, e ao contrário daquilo que estava à espera, “Fragmentado” é principalmente um estudo de personagem. O filme é todo sobre Kevin e a forma como as suas personalidades se comportam, e Shyamalan desenvolve a personagem de uma forma surpreendentemente aprofundada, sem no entanto nunca pretender desculpar as suas ações. Kevin é um vilão, e é isso que aqui é mostrado.

Anya Taylor-Joy tmabém tem um papel excecional como Casey, mostrando que tem um futuro promissor. Das três raparigas que atravessam pelo inferno no filme, é Casey aquela que tem direito a um maior desenvolvimento, sendo a verdadeia protagonista. O seu passado vai sendo contado através de flasbacks, que eventualmente revelam um twsist chocante sobre o porquê dos seus comportamentos chocantes. É uma revelação algo doentia, mas que nos permite sentir uma maior empatia pela personagem. E é Shyamalan a mostrar que ainda sabe como agarrar e chocar os espetadores. O realizador recorre ainda a outro truque inteligente, ao utilizar a psiquiatra de Kevin, a Dr. Karen Fletcher, para nos ir explicando lentamente a condição do protagonista, através de várias sessões entre ambos.

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Mas nem tudo corre bem em “Fragmentado”. O seu maior problema é que não é muito assustador. O filme nunca é propriamente aterrorizador, sendo mais um filme de suspense ou um thriller, o que não é propriamente mau, visto que consegue utilizar bem este último género. Só nos últimos 15-2o minutos é que o filme entra definitivamente no género de horror, e aí sim consegue assustar. Por outro lado, o filme é por vezes propositadamente desconfortável de ver, sendo que Shyamalan, apesar de nunca querer sexualizar as três jovens, acaba por utilizar um equilíbrio perigoso em determinadas cenas que por vezes se torna arriscado.

E agora vamos então ao final. Sem querer revelar nenhum spoiler, a última cena de Shyamalan dá um gigante plot twist ao filme, que o transforma em algo totalmente diferente e de uma escala muito maior do que aquilo que pensávamos. Mais uma vez, não quero revelar no que consiste esta reviravolta, mas vou só dizer que aponta para um futuro, se bem que não sei propriamente qual será. Só sei que é algo típico de Shyamalan.

Assim, “Fragmentado” é uma bela surpresa. É um thriller de suspense que tem uma interpretação gigante de James McAvoy e uma personagem extremamente cativante. Bem-vindo de volta, sr. Shyamalan! Tivemos saudades suas.

Nota final: 7/10

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