Hollywood, aprendam alguma coisa com o último mês

Janeiro foi um mês atípico para as receitas de cinema. O box office foi liderado nos Estados Unidos e a nível mundial por pequenos filmes, com boas críticas e conceitos originais, que conseguiram receitas de blockbusters que envergonham muitos blockbusters.

O último mês foi totalmente dominado por filmes de pequeno orçamento, como “Hidden Figures”, “Split” e “La La Land”. Os orçamentos destes três filmes juntos anda à volta dos 64 milhões de dólares (“split custo cerca de 9 milhões, “Hidden Figures” aproximadamente 25 milhões e “La La Land” adnou na casa dos 30 milhões), e cada um deles conseguiu ou vai conseguir ultrapassar a barreira dos 100 milhões nos EUA, com receitas mundiais que podem torná-los em grandes monstros de bilheteira. E cada um deles é uma história de sucesso que merece ser reconhecida.

“Hidden Figures” é um filme liderado por três mulheres negras, sobre três figuras que nunca tiveram o reconhecimento devido pelos seus contributos fundamentais para a corrida espacial. Enquanto os estúdios continuam a pensar que filmes liderados por mulheres não dão dinheiro, este conseguiu liderar as bilheteiras durante duas semanas consecutivas, enquanto ia conseguindo atenção das cerimónias de prémios.

“Split” foi vendido como um thriller de horror original (apesar de um plot twist no filme provar que é mais do que isso – aplausos ao marketing por não estragar esse facto!), tendo como maior ponte de atração ser a continuação do “comeback” na carreira de M. Night Shayamalan, e assentando basicamente na interpretação de James McAvoy. Na estreia, em que estava programado para ser contra-programação para “XXX: O Regresso de Xander Cage”, conseguiu dar uma tareia ao blockbuster de Vin Diesel no box office americano, e com um orçamento muito menor, provando a marca do seu realizador e a importância de se ter um conceito com impacto.

“La La Land” continuou a fazer a sua coisa nas bilheiteiras, provando que um musical original pode ser um sucesso gigante. Enquanto batia recordes de vitórias nos Globos de Ouro e de nomeações aos Oscars, o musical de Damien Chazelle ia somando uma receita considerável, estando a caminho de ser o filme original com maior receita de 2016 a nível mundial. A este ritmo, ultrapassar os 150 milhões de dólares nos EUA é quase garantido (não ficaria espantado se fizess muito mais), e é impossível prever o que vai fazer a nível mundial.

E agora vem a parte interessante: estes três filmes fizeram ou vão fazer mais nos EUA do que grande parte dos blockbusters de EUA. Com orçamentos muito mais pequenos, vão ultrapassar filmes como “Ghostbusters”, “A lenda de Tarzan”, “O dia da Independência: Nova Ameaça”, “Os sete magníficos”, “A casa da senhora Peregrine para crianças peculiares”, “Tartarugas ninjas: fora das sombras”, “Alice através do espelho”, “Convergente”, “O caçador e a rainha do gelo”,… podia enunciar muitos mais filmes, mas acho que já provei onde quero chegar. Ah, e provavelmente “Hidden Figures” e “La La Land” ainda vão conseguir ultrapassar “Jason Bourne”, “Star Trek Beyond” e “X-Men: Apocalypse”.

Mas o triste facto que há a tirar daqui é que provavelmente Hollywood não vai aprender nenhuma lição disto. Em vez de começarem a dar atenção aos pequenos filmes originais, é provável que continuem a despachar os típicos Blockbusters reciclados da semana. É claro que há excelentes Blockbusters, mas Hollywood devia aprender com este último mês e começar a apostar novamente na criatividade. Mas o mais provável é que por cada brilhante “La La Land”, Hollywood faça dez medonhos “Ghostbusters”.

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