Os bons filmes não estão a desaparecer. Apenas estão a ficar mais pequenos

Nas últimas semanas, enquanto muitos críticos fazem as usas listas de melhores filmes, há um tema recorrente: os bons filmes estão a desaparecer. Estes profetizadores do apocalipse (que, diga-se a bem da verdade, fazem isto todos os anos), gritam por todo o lado que o cinema está às portas da morte em termos de qualidade. Felizmente para nós, e infelizmente para eles, isto não é verdade. Os filmes não estão a caminho da extinção da sua qualidade. Apenas temos de saber procurar melhor.

Por isso, tal como tantos outros que partilham a minha opinião, os bons filmes continuam a estrear nas salas com relativa frequência. No entanto, um facto a que temos de nos habituar é que já não estamos no século XX. O cinema de qualidade já não domina as opções dos consumidores, que preferem filmes carregados de efeitos visuais e com argumentos que não têm qualquer profundidade. Assim, quando olhamos para 1994, quando “Forrest Gump” foi o filme mais visto do ano, ou 1998, em que a honra coube a “O resgate do soldado Ryan”, um filme de guerra violentíssimo e com temas complexos, parece que estes tempos ficaram para trás. E isto antigamente era ainda mais frequente. Os espetadores procuravam filmes que os obrigassem a pensar, que tivessem histórias cativantes e que fossem realizados por mestres do cinema. É claro que isto não é assim tão preto no branco, visto que ambos os filmes referidos eram discutivelmente blockbusters, apesar de não se identificarem na descrição atual de blockbusters.

E apesar de hoje estes filmes de qualidade para um público mais adulto não terem tanto sucesso como tinham noutros tempos, não quer isso dizer que estejam a desaparecer. Apenas estão a ficar mais pequenos em receitas.No entanto, continuam a chegar às nossas salas com relativa frequência. Só temos de os saber procurar.

No entanto, 2016 até trousse alguns filmes de grande orçamento de grande qualidade. “Capitão América: Guerra Civil”, “Deadpool”, “Zootopia”, “O livro da selva”, “Rogue One” e “Monstro fantásticos e onde encontrá-los” foram filmes com receitas elevadas que apresentavam grande qualidade, merecendo realmente a sua audiência. Por isso, até no campo dos blockbusters continua a haver qualidade.

Mas voltando aos pequenos filmes, no ano passado e no início deste ano, filmes como “Manchester by the sea”, “La La Land”, “Moonlight”, “Hell or high water”, “O herói de Hacksaw Ridge” e “Fences” (a lista podia continuar durante muito tempo) chegaram às salas de cinema americanas (alguns deles também às portuguesas; os outros estreiam nas próximas semanas), ostentando excelentes críticas e lutando por um público que teima em dizer que não existe qualidade nas salas. Mas ela está lá. Ao lado de cada sala que passava o terrível “X-men: Apocalypse”, havia uma a passar “The nice guys” ou até “A lagosta.

Por exemplo, esta semana assisti a dois filmes no mesmo cinema. Sexta-feira fui ver, em sessão esgotada, o péssimo “Assassin’s creed”. Já sábado vi, numa sala vazia, o excelente “Manchester by the sea”. O primeiro, com um público considerável, é dos piores filmes do ano. O segundo, sem público, é uma obra-prima que merece ser vista.

Assim, nãos nos podemos queixar de que a qualidade no cinema está desaparecer. Os bons filmes estão é a ficar cada vez mais pequenos em receitas. E apenas pedem uma oportunidade de serem vistos. Por isso, da próxima vez que forem ao cinema, não olhem apenas para o poster do blockbuster da semana. Talvez saiam a ganhar.

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