Crítica: Assassin’s Creed (Assassin’s creed) – 2016

Houve uma altura em que acreditei que seria “Assassin’s creed” o filme que viria destruir a maldição das adaptações cinematográficas de video-jogos. Tendo jogado quase todos os jogos da saga da Ubisoft, acreditava que existia aqui potencial para se criar uma experiência cinematográfica interessante, com cenas de ação bem coreografadas e um argumento bem desenvolvido, tendo por base períodos históricos cativantes. No entanto, “Assassin’s Creed” não conseguiu nada disso. Mais, é um péssimo (péssimo) filme. Para além de não conseguir dar a volta à maldição já referida, ainda a piorou.

Antes de mais, e para tirar isto do caminho, o filme acompanha Cal Lynch (Michael Fassbender), um presidiário condenado a pena de morte, que é salvo por uma empresa, a Abstergo, que procura utilizá-lo para aceder às memórias de um antepassado seu, Aguilar, um membro do Credo dos Assassinos, uma ordem destinada a combater os Templários na sua cruzada pela dominação do mundo. Aguilar sabe a localização de um artefacto que a Abstergo procura devido ao seu imenso poder.

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Assim, o argumento cedo revela que é péssimo. O filme torna-se numa questão sobre livre-arbítrio, sem nunca saber o que quer fazer do tema. Por outro lado, todas as personagens têm a densidade de uma folha de papel, o que não permite que criemos simpatia com nenhuma delas. De facto, o protagonista, Cal, é tão mal desenvolvido, que não cria nenhuma empatia. Passa grande parte do filme a mostrar que é um homem violento e quer curar a sua violência, o que, honestamente, ao fim de algum tempo não interessa a ninguém.

Por outro lado, e ao contrário do que o marketing mostra, o filme passa-se quase inteiramente no presente. Não contei o tempo, mas tenho quase a certeza de que apenas cerca de 15% a 20%  do filme se passa na Espanha do século XV. Existem apenas três sequências neste período histórico. TRÊS! Ora, isto é problemático. As melhores partes do filme são as que ocorrem no passado, e devido à sua curta duração nunca têm tempo de se desenvolver, e impedem que exista algum interesse pelo conflito entre Assassinos e Templários.

E assim chegamos às cenas de ação. Sempre  pensei que pelo menos estas seriam interessantes, mas até nisso o filme falha. Para além de não serem originais (existe uma cena que envolve Templários e Assassinos à tareia em cima de dois carros puxados a cavalos que parece copiada de “Mad Max: Fury Road), estas são mal orquestradas. Por algum motivo, Justin Kurzel achou bem pensado ir cortando as cenas de ação do passado com a demonstração de como elas ocorrem no presente, ou seja, com o que Cal faz dentro do Animus (a máquina utilizada para o transportar para o passado). Isto destrói todo o ritmo das cenas de ação, impedindo que o espetador fique emerso nelas. Também não ajuda o facto de elas não serem muito bem filmadas: a câmara anda sempre em close-ups excessivos, que tiram a magnitude ao filme.

Também as interpretações não convencem. Michael Fassbender não tem nada para fazer com a personagem que lhe é dada, e até Marion Cotillard (a excelente Marion Cotillard!) parece que preferia estar a fazer qualquer coisa em vez deste filme. Todo o elenco está tão aborrecido que parece que está em solidariedade com o espetador. É algo admirável como é que um filme pode desaproveitar um elenco como este, mas “Assassin’s creed” conseguiu fazê-lo de uma forma extraordinária. Parabéns, acho eu.

Por isso, “Assassin’s Creed” é um falhanço de proporções épicas. O mais irritante é que, no meio desta grande trapalhada, havia um bom filme para ser encontrado, sendo que se houvesse algum foco na narrativa do passado, isto podia ter resultado. Mas não resulta. O filme atira-se com um salto de fé que aterra de cabeça. Game over.

Nota final: 2/10

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