Crítica: Passageiros (Passengers) – 2016

“Passageiros” é um caso raro no cinema moderno. Um filme de ficção científica/ romance de grande orçamento que é sustentado pelo poder das suas duas estrelas, vendendo interpretações em vez de cenas de ação. É um blockbuster à moda antiga, que há não muito tempo seria visto como uma evento cinematográfico de grande calibre, e que hoje é quase visto como programação alternativa aos filmes de grande orçamento que constantemente invadem as nossas salas. E durante grande parte da sua duração, consegue ser umacerta brisa de ar fresco com uma mistura interessante dos seus dois géneros.

Morten Tyldum, que aqui há uns anos realizou o soberebo “O jogo da imitação”, dirige aqui aqueles que são possivelmente os dois maiores atores da atualidade: Chris Pratt e Jennifer Lawrence. Estes interpretam duas personagens, Jim e Aurora, que se encontram a bordo da Avalon, uma nave com destino a una nova colónia para vida humana, e que inesperadamente acordam 90 anos cedo demais.

A grande revelação para que os trailers apontavam (porque é que estes dois desconhecidos acordaram mais cedo?) é algo expectável, sendo que é logo resolvida no primeiro ato. Tyldum nunca pretende fazer deste o problema fundamental do filme, sendo que a obra sobe de qualidade após a tal revelação. Cedo se percebe que estamos perante um romance, e não um filme de mistério/ suspense. E isso é que o consegue distanciar das restantes ofertas do género, dando-lhe um charme irresistível e característico.

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Mas o grande destaque aqui são as estrelas do filme. Pratt e Lawrence estão ambos no topo do seu jogo, aguentando o filme às costas com uma enorme facilidade, e mostrando porque é que são dos atores mais valiosos da sua geração. A química entre ambos é paupável, e a dupla consegue elevar a obra a níveis que provavelmente seriam inatingíveis com outro duo. São dois nomes que provam que o “star power” à moda antiga ainda não morreu totalmente, e que o conjunto certo de atores pode ser mais valioso do que o espetáculo visual.

Outro aspecto que merece ser destacado é a realização de Lydum. Este concede uma beleza característica ao filme, baseando-se para a criação do ambiente do filme em obras como “2001: A odisseia no Espaço”, “Interstellar” e “Alien: o 8º passageiro”, criando um aspeto visual que é impressionante, sem se sobrepôr à história ou aos atores.

Mas nem tudo é positivo em “Passageiros”. Em primeiro lugar, o argumento nem sempre funciona. Para além de problemas de ritmo fundamentais, o filme muitas vezes perde o foco, não sabendo bem o que pretende ser. Há momentos em que o filme não sabe se quer ser um romance puro ou um filme de suspense, e isso prejudica-o. Para além disso, o terceiro ato não consegue estar à altura dos anteriores, por razões que não posso revelar sobre pena de estragar o avanço do filme para quem o queira descobrir.

Assim, “Passageiros” consegue ser, nos seus melhores momentos, uma brisa de ar fresco, apresentando-se como uma mistura bem-conseguida de romance com ficção-científica, num filme que assenta no estatuto das suas duas estrelas e que nunca se esquece de ter coração. Apesar de alguns problemas de alguns problemas de argumento o impedirem de ser uma experiência obrigatória, é uma viagem na qual vale a pena embarcar.

Nota final: 6,5/10

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