Crítica: A rapariga no comboio (The girl on the train) – 2016

Antes de mais, duas confissões. Primeiro, nunca li o livro de Paula Hawkins em que “A rapariga no comboio se baseia”. Eu sei, no ano passado andava toda a gente a ler a obra de Paula Hawkins, mas está nunca me chamou a atenção, e quando vi o trailer do filme, este pareceu-me quase uma cópia do excelente “Em parte incerta” de Fincher. Em segundo lugar, e talvez mais importante, não me lembro da última vez que saí de um filme com sentimentos tão variados.

“A rapariga no comboio” é a história de Rachel, uma alcoólica que passa dos dias a viajar de comboio até Nova Iorque, sendo que todos os dias a sua atenção é captada por um jovem casal que vive numa casa por onde o comboio passa. Certo dia, a mulher do casal, Megan, desaparece, e Rachel pensa ter testemunhado o desaparecimento, mas dúvida desse facto devido ao seu estado constante de alcoolismo.

Assim, como se pode ver, as comparações a “Em parte incerta” são desde logo óbvias. Ambos são thrillers de suspense que envolvem o desaparecimento de uma mulher. No entanto, esta comparação acaba por não ser justa para “A rapariga no comboio”, visto que este nunca consegue criar o ambiente de suspense sufocante da obra de Fincher, que, confesso, me conseguiu fazer sair a tremer da sala quando o vi.

Mas concentrando-nos apenas em “A rapariga no comboio”, o filme de Tate Taylor apresenta uma primeira parte que é mais um drama de análise psicológica do que propriamente um thriller. E este é um dos grandes problemas do filme. Se esta primeira parte procura oferecer um forte realismo, o facto é que o consegue fazer, construindo até personagens relativamente interessantes. No entanto, está parte é também extremamente aborrecida, e destrói todo o ambiente de tensão que o filme poderia querer criar.

A segunda parte, que retrata principalmente o desaparecimento de Megan, torna-se mais rápida, mas nunca é tão intimidante como pensa que é. De facto, quando chega o obrigatório plot twist, este é quase expectável, não criando o efeito de surpresa necessário a um filme do género.

Apesar de tudo isto, há um aspecto no filme que merece ser louvado: a interpretação de Emily Blunt. Blunt faz de Rachel uma personagem incrivelmente credível, permitindo que seja possível criar empatia com Rachel. A sua interpretação é um tour de force que merece ser reconhecido, e se o filme fosse melhor provavelmente viria a assegurar-lhes uma nomeação aos oscars.

Voltando ao início, “A rapariga no comboio” foi um filme que me deixou com emoções mistas. Se por um lado tem um aspecto bastante forte (a interpretação de Blunt), e até chega a ser uma experiência emocionante na segunda parte, o resto do filme nem sempre é muito interessante. O resultado final não é nenhum descarrilamento, mas também não é uma viagem muito cativante.

Resultado final: 5.5/10

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