Crítica: Salsicha Party (Sausage Party) – 2016

De: Conrad Vernon e Greg Tiernan

Com: Seth Rogen, Kristen Wigg, Jonah Hill, Bill Harder, Michael Cera

Duração: 88 minutos

Data de estreia em Portugal: 15 de setembro de 2016

“Salsicha Party” é uma anomalia no mundo do cinema. Um filme de animação comercial dirigido a adultos, com o estilo visual das grandes produções da Pixar, carregado de palavrões, drogas e sexo, que apresenta mais do mesmo daquilo que os fãs de Seth Rogen e companhia estão acostumados.

O filme apresenta um conceito interessante: e se a nossa comida tivesse vida? Assim, são-nos dados a conhecer vários tipos de alimentos, que aguardam no supermercado a sua vez de serem escolhidos pelos “deuses” para irem para o paraíso.

Ninguém vai ver um filme chamado “Salsicha Party” à espera de encontrar um argumento extremamente desenvolvido. No máximo, espera-se umas horas bem passadas e umas gargalhadas valentes, associadas a piadas que podem ofender metade da audiência. No entanto, o filme não cumpre inteiramente estas expetativas.

O filme começa extremamente bem: com uma cena musical que é tão hilariante como obscena, que começa logo a elevar as expetativas de que possamos estar perante uma obra que nos vai fazer rir até perdermos a respiração. No entanto, a partir daí o filme abranda fortemente no humor, não voltando a ter grande piada até aos últimos 20 minutos. De facto, o grande problema de “Salsicha Party” é que, tirando o início e o fim, não tem muita piada.

Para além disso, todo o filme se baseia numa metáfora religiosa: os humanos são os “deuses” dos alimentos, responsáveis pela sua aspiração a um suposto paraíso. Assim, Rogen e companhia pretendem criticar os fundamentos da religião, e até certo ponto conseguem fazê-lo de forma convicente. O problema é que uma boa metáfora não é suficiente para aguentar noventa minutos de filme, e ao fim de algum tempo as piadas tornam-se cansativas e até forçadas.

Quanto ao tipo de humor, como seria de esperar, este é deliciosamente ofendido. Este não é um filme recomendado para os mais sensíveis, visto que tem cenas que são capazes de chocar até os mais fortes. E é nessas cenas que o filme realmente se destaca, conseguindo arrancar gargalhadas genuínas a quem aguentar. Neste aspeto, é de destacar a cena final, que posso dizer com toda a certeza que é dos momentos mais embaraçosos e absurdos que já testemunhei numa sala de cinema.

Assim, “Salsicha Party” podia ser uma curta-metragem excelente, mas está preso a uma duração excessiva, visto que apesar de ter uma inteligência surpreendente, é prejudicado por um segundo acto que é demasiado longo e que não tem piada. Apesar de não ser um mau filme, podia (e devia) ser melhor.

Nota final: 6/10

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